sábado, 10 de setembro de 2016

Uma aula especial

Existem momentos que começamos a perguntar-nos o real sentido daquilo que fazemos, seja na vida ou na profissão que escolhemos. Quando começamos a pensar em nossa vocação ficamos cheios de ideias com relação à ela, sonhos que podem provocar mudanças.  É até dar coragem!  Com essa dose de ânimo, passamos a acreditar que podemos compartilhar e receber conhecimento nessa jornada que todos vivemos.

Eu escolhi como profissão “ser professor” e acredito nesta missão. Confio no juramento que fiz, que a educação é o caminho para a mudança, mudanças que nós precisamos em nossas vidas e em nosso país.

Quando ingressamos a faculdade temos uma série de sonhos com relação ao caminho que escolhemos e, no passar do tempo, começamos a talvez a perceber que muito disso não poderá se realizar, em meio à tantas teorias e conceitos. Daí, vamos nos afastando das ideias que tínhamos no começo, daqueles sonhos que muitas vezes são tratados como utópicos (ou sem sentido), algumas vozes começam a nos dizer “isso não é possível”, “você não vai conseguir”, ou “no dia a dia não é nada disso”, como se de alguma forma desejassem que nós nos conformássemos com o que vivemos.

Mas na minha formação também aprendi que não é assim, e com muitos dos meus professores aprendi que devemos insistir e nunca deixar de acreditar que aqueles sonhos que temos para a educação são possíveis, aprender que nós não somos donos do conhecimento e que sim aprendemos muito com nossos alunos.

Não é a primeira vez que tenho a felicidade de aprender e vibrar com aquilo que as crianças nos falam e perguntam, perguntas inocentes, mas com uma força tremenda, que dariam verdadeiras teses, “porquês” cheios de vontade e de uma sabedoria pura, que nos colocam a pensar e repensar tudo o que estudamos, nos ensinam que o mundo mudou, as crianças mudaram e o professor precisa mudar, precisa estar atento a esse novo jovem que está em nossas escolas.

No dia 9 de setembro de 2016, tive uma oportunidade fantástica, a de poder conversar sobre a história do Brasil e do Vale do Paraíba com crianças de escolas rurais de Guaratinguetá. Crianças simples que traziam consigo um brilho no olhar, que me encantava a cada momento.






Lá as crianças estavam envolvidas na organização e no preparo do espaço. A nós coube separar o material para a apresentação. As crianças começaram a chegar aos poucos e, aos poucos, completaram todos os lugares disponíveis. Já era encantador observar como elas estavam curiosas pelo que iria acontecer ali.

Rafaela Molina, uma grande amiga também sonhadora como eu e docente na profissão de história, e eu fomos apresentados e iniciamos a atividade.  Rafaela tem na veia a habilidade de uma atriz e fez da sala de aula o palco de um teatro, com uma coroa sobre a cabeça começou a brincar e conversar com as crianças, narrou histórias de príncipes e princesas, reinos distantes e duelos de espada.

Comecei minha fala, e ali tinha comigo um desejo, queria ser entendido pelos pequenos, queria falar de forma que deixasse alguma mensagem para eles. Comecei a contar um pouco sobre a infância deste príncipe arteiro, que chegou com seus 10 anos no Brasil e se apaixonou pelo clima, onde até a chuva era quente. Contei como cresceu brincando por essas terras, fazendo amizade com todos e tornando-se, aos poucos, aquele que faria do Brasil uma nação independente.

Como foi bonito ver a atenção deles, emocionante foi ouvir os pequenos cantarem de forma tão forte e organizada o Hino da Independência. Fazia tempo que não sentia um arrepio tão real.

Repetir a atividade em duas escolas foi ainda mais interessante, na segunda antes do início da atividade, tive uma oportunidade bem interessante e divertida, jogar bola e correr o campo com as crianças.


Ao final da apresentação nessa segunda escola, fui convidado pelas crianças a contar outra história, curiosidade provocada pela fala final da diretora Luana Cristina de Souza, que não resistiu e contou da minha amizade por um certo fantasma.   Não me deixaram sair sem contar um pouquinho sobre “a loira do banheiro” claro que a grande curiosidade ainda ultrapassava a lenda, quem era essa moça? Pois bem, contei um pouquinho e fiquei de voltar.







Nesse dia ainda pude reencontrar com um dos meus professores e amigo e que não via desde de 2001, época em que me mostrou, com suas atitudes, como era nobre a profissão de professor.  Em momentos difíceis que passei enquanto aluno ele me ajudou de forma ímpar, e muito por conta da sua dedicação, não desistia de mim sem que eu aprendesse aquela que era uma das matérias que eu tinha mais dificuldade: química. Agradeço muito ao professor Ademir.

Agradeço a todos a oportunidade de participar deste evento, agradeço à minha amiga professora Luana, diretora das escolas, nos recebeu de braços abertos. Agradeço ao empenho e ao convite da minhas amigas Priscila Sayuri e Jaciele Santos, que de forma comprometida organizaram o evento e me fizeram esse convite maravilhoso. Não posso deixar de agradecer a parceria de minha amiga Rafaela Molina, sempre disposta a trabalhar nas causas da educação.

Muito obrigado a todos.

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