quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Documento 1964: Para não esquecer...III

Em maio de 2004 o Centro UNISAL, lançou em seu jornal algumas matérias sobre os 40 anos do golpe militar, iremos transcrever aqui a matéria feita a partir de uma entrevista realizada com o Prof. Mário José Dias, com o titulo “Para não esquecer”.

Para não esquecer

Matéria da Jornalista Bete Rabello

Ao fazer uma breve análise do que representou o golpe militar para o país, o professor Mário Dias afirma que é sempre válido lutar por qualquer projeto nacional que tenha como princípio a liberdade. Para ele, o movimento de 64, ao cercar a liberdade, deixou marcas profundas em nossa história.

E não podemos esquecer aquele período. Mário Dias lembra a afirmação da Profa. Dra. Marly Gomes, na “Folha de São Paulo”, dia 22 de abril: “É preciso lembrar, passados 40 anos, todos aqueles que lutaram pela liberdade, por um Brasil melhor; aqueles que lutaram pela democracia e contra a corrupção, que deram suas vidas nessa luta, perdidas às vezes da forma mais cruel. É preciso não esquecer  ‘pela honra, pelos princípios’”.

E como entender o distanciamento da juventude das questões do país, sendo que no período militar ela participava tão ativamente dos acontecimentos políticos do país? O Prof. Mário Dias, lembra que “os anos 60 marcam uma época de grande euforia juvenil na história. A cena marcante desta época estava centrada na participação estudantil. Esses movimentos faziam parte de uma grande proposta de construção de um projeto participativo e democrático”.

O regime totalitário instaurado logo tratou de evitar que os movimentos estudantis crescessem e se tornassem uma liderança nacional. Essa medida encontrou eco na lei 5.692/71, que reorganizou as grades curriculares, dando nova direção ao ensino brasileiro.

Mário Dias observa que quando se mexe nas estruturas de organização das escolas, consequentemente se “moldam” o modelo de país que se vai construir. Os movimentos estudantis foram esvaziados ao serem substituídos por Grêmios, representantes de turmas e outros... Estes foram acostumados a pensar que sua função era organizar festas e excursões...

Na opinião do professor da Unidade de Lorena, a juventude não se tornou alienada. Na verdade ela foi cerceada do seu direito de “lutar” por um projeto de país. E Mário Dias pergunta: “Se eu não sei como participar ativamente de um movimento estudantil, como poderei participar de um projeto maior de nação?.

Prof. Dr. Mário José Dias



Lembrando que você pode colaborar com informações enviando um e-mail para diego@iev.org.br

Um comentário:

  1. Com toda certeza a juventude estudantil do século XXI não traz as "vontades" revolucionárias da década de 60, entretanto, penso de outro ponto, não olhando a juventude. Direciono meu olhas aos professores e instituições, se estariam ou estão preparadas para lidarem com alunos que buscam uma revolução.

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