sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Uma homenagem ao Prof. José Luiz Pasin

Aqui segue alguns dos pensamentos do professor José Luiz Pasin. Estes foram extraídos de uma série de entrevista que o professor concedeu ao longo de sua história. O Prof. Pasin, faleceu no dia 11 de janeiro de 2008. 














Os pensamentos foram selecionados com o auxílio da Profa. Aparecida Gonçalves Uchôas.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Documento 1964: Para não esquecer... VI

Vários são os documentos que estão disponíveis no Arquivo do Estado de São Paulo. Dentre estes, encontramos alguns que são interessantes para resgatar informações acerca da participação valeparaibana no processo político nacional de 1964. Abaixo, seguem fichas do Prof. José Luiz Pasin, do Prof. Nelson Pesciotta e da Religiosa Irmã Olga de Sá.

Todos os que lutaram pela democracia no país, pagaram com a própria liberdade. Alguns tiveram a sorte de sobreviver à violência gerada pela repressão, ficar para continuar lutando e nos ensinando os ideais de liberdade e democracia. 


Ficha: José Luiz Pasin - DEOPS


Ficha: José Luiz Pasin - DEOPS

Ficha: José Luiz Pasin - DEOPS


Ficha: Nelson Pesciotta - DEOPS

Ficha: Irmã Olga de Sá - DEOPS

Panfleto que traz notícia da prisão dos professores 
José Luiz Pasin e Nelson Pesciotta e da religiosa Irmã Iracema Farina 

Transcrição do Panfleto

POVO PAULISTA

Nestes últimos dias a ditadura militar terrorista, serviçal do capitalismo norte-americano, da grande burguesia brasileira e do latifúndio, cometeu uma nova onda de crimes contra o povo.

No dia 20 de outubro assassinou o líder da ALN, Joaquim Câmara Ferreira.

Durante o último fim de semana fez dezenas de prisões São Paulo, Guanabara, no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, Bahia, Paraná etc. Dentre os presos encontram-se os advogados Heleno Fragoso (vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil secção da Guanabara), Augusto Sussekind de Moraes Rego (membro do Conselho Federal da OAB) e Rosa Maria Cardoso, os jornalista Paulo Francisco, Carlos Heitor Rony, Joel Silveira, Luiz Carlos Maciel e Araquem Aquino, o editor Ênio Silveira, o cantor Fábio (premiado no 5º Festival); a atriz Leila Diniz, o caricaturista Ziraldo, o maestro Erlon Chaves, os professores Nelson Pesciotta e José Luiz Pasin a religiosa Irmã Iracema, o presidente da Câmara de vereadores de Leme, Alcides Pacciotti, o ex-prefeito de Leme, Orlando Franco, a vereadora Virginia Schwengner Leme Franco, os ex-vereadores Sebastião Ribeiro, Benedito Bittencourt de Andrade José Coli, além de muitas outras pessoas, entre as quais prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e etc.

Proibiu comícios eleitorais em várias cidades.

O Iº Exército apreendeu no dia 3 material da redação do jornal “O Pasquim”, enquanto prendeu uma jornalista Marta Alencar, enquanto o IIº Exército desfechava uma “blitz” em dezenas de cidades do interior de SP, prendendo centenas e centenas de pessoas.
Prendeu alguns operários, semanas atrás, que faziam propaganda eleitoral na Vila Formosa, e dois operários em Santo André.

Enquanto isso, o Ditador Carrazco Azul em seu discurso feito, para comemorar seu primeiro ano de reinado de terror contra o povo e de bons serviços aos seus patrões, dizia que o ato 5 não seria revogado e pedia para que todos confiassem na sua bondade.

Estes fatos, agora, na época em que se realiza esta palhaçada chamada de eleições, nos mostram perfeitamente que elas não são nenhum beneficio para o povo, mas sim que são uma jogada suja querendo dar uma aparência de apoio popular à Ditadura pró-imperialista.

Estes fatos nos mostram que, para bem servir aos seus patrões, a quadrilha de assassinos que tomou o poder está sempre bem disposta a usar da violência, das arbitrariedades e do terror, contra o povo, a prender, a torturar e assassinar.

É por isso que, nestas eleições falsas, o único caminho possível para o povo é ANULAR O VOTO!

É por isso que, para libertar o nosso país da dominação do imperialismo norte-americano, da grande burguesia brasileira e do latifúndio, o único caminho do povo é lutar com armas na mão!

LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS!
ABAIXO O ATO 5!
ESTA ELEIÇÃO É TAPEAÇÃO, ANULE SEU VOTO!
LUTEMOS POR UM GOVERNO NACIONAL, DEMOCRÁTICO E POPULAR!
A GUERRA POPULAR DERRUBA A DITADURA!
PREPARAMO-NOS PARA A GUERRA POPULAR!  


Pesquisa realizada em julho de 2008 no Arquivo do Estado de São Paulo.
Levantamento e Fotos - Diego Amaro de Almeida

Faculdade Salesiana: um marco na história da educação universitária brasileira

Artigo publicado pelo professor José Luiz Pasin, no  Informativo do  IEV de maio de 2002, em comemoração ao cinquentenário de fundação da Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, hoje Centro UNISAL de Lorena.

Faculdade Salesiana: um marco na história da educação universitária brasileira

Por José Luiz Pasin

No dia 14 de fevereiro de 1952, Getúlio Vargas, presidente da República, assinava o Decreto nº30.552, autorizando o funcionamento da Faculdade Salesiana de Filosofia, na cidade de Lorena, a segunda a ser instalada no interior de São Paulo e a primeira instituição de nível superior na região do Vale do Paraíba.

No dia 12 de março de 1952, em memorável sessão solene, com a presença de autoridades municipais, estaduais, federais, religiosos, políticos e representantes da sociedade lorenense e valeparaibana, nascia a Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, uma “instituição livre de ensino superior, fundada e mantida sem escopo de lucro, pela Inspetoria Salesiana do Sul do Brasil, destinada a habilitação de candidatos da ordem religiosa e leigos para o exercício do magistério e de uma elite intelectual católica, fundamentada na opção aristotélica-tomista e no modelo pedagógico proposto por Dom Bosco...”.

Palacete Machado Coelho de Castro - Foto: Guto Domingues

Instalada na sede do palacete Machado Coelho de Castro, ao lado do cinquentenário  Colégio São Joaquim, a faculdade iniciou modestamente suas atividades, dirigida pelos padres salesianos e tendo como alunos os seminaristas, futuros sacerdotes. Sob a direção do Padre Carlos Leôncio da Silva, emérito sacerdote e renomado pedagogo, com uma equipe de professores, formados e especializados em universidades europeias, a nova instituição de ensino, firmou-se na região como um dos mais importantes centros de estudos, pesquisas e cultura no interior do Brasil.

Por ocasião das comemorações do cinquentenário do lançamento do livro “Os Sertões”, do escritor Euclides da Cunha, em 1952, a faculdade sediou um clico de conferências e inaugurou solenemente a Sala “Euclides da Cunha” sob a direção do médico e historiador Antonio Gama Rodrigues e com o apoio entusiástico do Padre Carlos Leôncio, projetando Lorena no cenário cultural e literário do Brasil.

Inauguração da Sala Euclides da Cunha - 1952 
Foto: Acervo IEV

Em seu auditório, a faculdade teve o privilégio de ouvir e aplaudir os grandes nomes da intelectualidade brasileira: Austregésio de Athayde, Alceu Amoroso Lima, Alves Motta Sobrinho, Arthur Cezar Ferreira Reis, Aureliano Leite, Barbosa Lima Sobrinho, Cassiano Ricardo, Cecília Lara, Francisco de Assis Barbosa, João de Scamtimburgo, Mário Graciotti, Manotti Del Picchia, Plínio Salgado, Sebastião Pagano, Tito Lívio Ferreira e outros, poetas, juristas, filósofos, e os quais em conferências memoráveis, faziam a Faculdade Salesiana, um centro de estudos, debates e reflexões sobre a realidade brasileira.

Funcionado em três núcleos separados (seminário masculino e feminino), a faculdade cresceu e formou milhares de professores, orientadores, administradores, diretores permitindo ampliação do ensino público na região valeparaibana paulista e fluminense e em todo o sul de Minas Gerais.

Ao longo destas cinco décadas, a Faculdade Salesiana cumpriu brilhantemente o seu papel de instituição universitária católica, comprometida com a realidade social brasileira com a formação humanista e integral de seus alunos, com o espírito salesiano de educar e respeitar valores e potencialidades do educando, dentro das diretrizes e normas das encíclicas pontifícias, sem abdicar de seus princípios e do respeito pela diversidade de seus alunos e professores.

Teve seus momentos de glória e viveu seus momentos de crise, não se omitindo nos grandes debates que assinalaram as mudanças ocorridas no Brasil e no mundo, em especial nos acontecimentos marcantes dos anos sessenta: o Concílio Vaticano II, as Encíclicas de João XXIII e Paulo VI, o movimento feminista, a guerra do Vietnã, as atitudes revolucionárias dos jovens, os movimentos estudantis, os acontecimentos de maio de 1968, o golpe militar de 1964 e seus desdobramentos...

A Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena é um marco na história da educação universitária brasileira, uma conquista dos salesiano e motivo de orgulho e compromisso profissional e dedicação de seus ex-alunos e professores.

Lorena e o Vale do Paraíba foram privilegiados com a instalação desta universidade, responsável pela mudança de atitudes e valores de uma sociedade agrária e conservadora, que permitiu aos seus alunos uma ascensão profissional e cívica, refletida na busca de uma nova identidade e de novos caminhos para as gerações que frequentam as suas instituições de ensino e sonham com um Brasil verdadeiramente cristão e compromissado com as mudanças sociais e políticas, alicerces de uma nova sociedade e um mundo novo.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Documento 1964: Para não esquecer... V

Transcrição de entrevista realizada com o Prof. José Luiz Pasin, pelo Jornal do UNISAL em maio de 2004 por conta dos 40 anos do "Golpe Militar" de 1964.

Fomos presos e acusados de subversivos

Matéria da Jornalista Bete Rabello

Professores e alunos da então Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, hoje Centro UNISAL, foram presos pelos militares, em 1970, acusados de subversão. Um deles é o professor e pesquisador José Luiz Pasin, da Unidade de Lorena.

“Eu fiz o curso de história nos anos 60, me formei em 1962, na Faculdade Salesiana de Lorena, considerada na época, uma instituição universitária de renome nacional.
Como acontecia nas universidades do país, havia uma necessidade de se discutir a realidade brasileira, os problemas sociais, reforma agrária, situação da classe operária, da universidade... tudo isso já repercutia aqui, na Faculdade Salesiana.

O curso de História era muito bem estruturado, com ótimos professores. Havia também um movimento estudantil muito forte, em Lorena e no Brasil todo. Os universitários tinham uma formação política que não existe mais hoje e, na época, a UNE – União Nacional dos Estudantes – e a – UEE – União Estadual dos Estudantes – politizavam os Centros Acadêmicos e nós de Lorena participávamos de todos os encontros e congressos.

Um dos nossos alunos, Ivo Malerba, que cursava Geografia, foi preso no famoso congresso de Ibiúna, invadido no dia 12 de outubro de 1968 pela polícia. Ele era o presidente do Centro Acadêmico de Lorena.

Em 1968, promovemos uma semana da solidariedade ao povo do Vietnã, já com a Faculdade cercada, pois havia em Lorena uma delegacia da Polícia Federal. Nesse período, funcionava o Cine-clube, que existe até hoje, fundado pela Irmã Salesiana Iracema Farina, que era professora de Sociologia na secção feminina. Na época, a Faculdade estava dividida em duas secções: a feminina e a masculina.

Depois de 1964, os militares se infiltraram nas faculdades para aprender, pois perceberam que tinham uma formação cultural e histórica muito falha, e para espionar os professores e alunos.
Eu era professor de História do Brasil, e, na época, contestava as declarações do ministro da fazenda Delfim Neto, que fazia apologia de que nós seríamos um novo Japão, aquela ufania do Brasil maior.

Foi nesse contexto de agitação política na faculdade, aulas contestadoras, debates, que nós começamos a ser vistos como subversivos, embora eu não tivesse qualquer ligação com o Partido Comunista ou o Socialista, pois nunca acreditei em ideologias.

Em 1970, já sob o governo de Emílio Garrastazu Médici, depois de várias intervenções aqui na Faculdade, várias convocações de alunos e professores para depor na Policia Federal, nós fomos presos na madrugada de 1º para 2 de novembro, e  recolhidos no quartel do 5º Regimento de Infantaria de Lorena. Da Faculdade Salesiana, fui eu, Ivo Malerba, que representava os alunos, João Bastos que fazia o curso de História. A Irmã Iracema foi detida para interrogatório, mas não ficou presa.

Ficamos presos alguns dias no quartel de Lorena, em função do boatos de que iríamos provocar uma série de atentados na região, o que era totalmente absurdo, pois nosso papel era apenas contestador.

Mas esse momento foi muito importante, porque a Faculdade teve uma postura, eu não diria revolucionária, mas uma postura humanista, que era uma característica da universidade, ou seja, ela cumpriu o seu papel de formadora de ideias, de mentalidades.

Havia uma preocupação com a formação cultural e intelectual dos alunos e era muito grande a participação dos alunos e professores nas decisões da Faculdade. Eu acho que isso foi marca desse momento da Faculdade Salesiana, da sua direção, professores e alunos, dentro desse quadro que foi o movimento revolucionário dos anos 60 e 70 liderado pelos militares e que produziu esse Brasil que conhecemos hoje.

O que mudou depois da prisão

Nós professore continuamos nossas aluas. Eu nunca mudei minha maneira de pensar em relação ao Brasil. Já do ponto de vista dos alunos, a coisa mudou. Houve uma reforma universitária muito grande, que extinguiu os Centros Acadêmicos, criando diretório, que começou a ser cerceado nas suas atividades, e a Faculdade passou por algumas mudanças na sua direção.

A partir dos anos 70, durante certo período, me afastei da Faculdade por não concordar com as posicionamentos da direção. Para mim, houve um retrocesso nessa linha humanista e contestadora Salesiana até então tivera diante de tudo o que estava acontecendo no Brasil.

Diria que, num certo momento, houve uma “adesão” da direção a tudo que estava acontecendo. Podemos justificar essa adesão no sentido de preservar a autonomia da instituição e para que não acontecessem aqui problemas maiores com os militares como ocorreu em outras faculdades.

A faculdade de ontem e de hoje

Lembro-me que nos anos 60, em plena ditadura, os alunos não só tinham interesse pelo curso que faziam, mas liam, discutiam, debatiam e cumpriam o papel universitário, que desapareceu no Brasil de hoje.


Para mim, a classe universitária brasileira é inteiramente alienada ao que acontece no Brasil. Diria também que os professores de hoje têm uma capacidade profissional, mas o aspecto contestador parece que desapareceu não só da Salesiana, mas da universidade brasileira em geral."

Maio de 2004

Material Consultado no Acervo e Biblioteca do Instituto de Estudos Valeparaibanos

Lembrando que você pode colaborar com informações enviando um e-mail para diego@iev.org.br

Documento 1964: Para não esquecer... IV

Depoimento do Prof. Nelson Pesciotta sobre a Ditadura Militar no Brasil





Documento 1964: Para não esquecer...III

Em maio de 2004 o Centro UNISAL, lançou em seu jornal algumas matérias sobre os 40 anos do golpe militar, iremos transcrever aqui a matéria feita a partir de uma entrevista realizada com o Prof. Mário José Dias, com o titulo “Para não esquecer”.

Para não esquecer

Matéria da Jornalista Bete Rabello

Ao fazer uma breve análise do que representou o golpe militar para o país, o professor Mário Dias afirma que é sempre válido lutar por qualquer projeto nacional que tenha como princípio a liberdade. Para ele, o movimento de 64, ao cercar a liberdade, deixou marcas profundas em nossa história.

E não podemos esquecer aquele período. Mário Dias lembra a afirmação da Profa. Dra. Marly Gomes, na “Folha de São Paulo”, dia 22 de abril: “É preciso lembrar, passados 40 anos, todos aqueles que lutaram pela liberdade, por um Brasil melhor; aqueles que lutaram pela democracia e contra a corrupção, que deram suas vidas nessa luta, perdidas às vezes da forma mais cruel. É preciso não esquecer  ‘pela honra, pelos princípios’”.

E como entender o distanciamento da juventude das questões do país, sendo que no período militar ela participava tão ativamente dos acontecimentos políticos do país? O Prof. Mário Dias, lembra que “os anos 60 marcam uma época de grande euforia juvenil na história. A cena marcante desta época estava centrada na participação estudantil. Esses movimentos faziam parte de uma grande proposta de construção de um projeto participativo e democrático”.

O regime totalitário instaurado logo tratou de evitar que os movimentos estudantis crescessem e se tornassem uma liderança nacional. Essa medida encontrou eco na lei 5.692/71, que reorganizou as grades curriculares, dando nova direção ao ensino brasileiro.

Mário Dias observa que quando se mexe nas estruturas de organização das escolas, consequentemente se “moldam” o modelo de país que se vai construir. Os movimentos estudantis foram esvaziados ao serem substituídos por Grêmios, representantes de turmas e outros... Estes foram acostumados a pensar que sua função era organizar festas e excursões...

Na opinião do professor da Unidade de Lorena, a juventude não se tornou alienada. Na verdade ela foi cerceada do seu direito de “lutar” por um projeto de país. E Mário Dias pergunta: “Se eu não sei como participar ativamente de um movimento estudantil, como poderei participar de um projeto maior de nação?.

Prof. Dr. Mário José Dias



Lembrando que você pode colaborar com informações enviando um e-mail para diego@iev.org.br

Documento 1964: Para não esquecer...II


“O primeiro passo no caminho que vai da opressão à liberdade só se dá pela consciência da vida de opressão. 
Daí por diante, a trajetória a libertação sem impõe como vocação instintiva.” 
(SILVA in PASSOS JUNIOR, 2004)

O Prof. Francisco Sodero Toledo traz em sua obra “Igreja, Estado, Sociedade e Ensino Superior: A Faculdade Salesiana de Lorena” entrevista realizada com o Sr. Ivo Malerba que foi um dos principais lideres do movimento estudantil, que em 1968 ocupava o cargo de presidente do Diretório Acadêmico  da Faculdade Salesiana de Filosofia Ciência e Letras de Lorena, e em sua entrevista notamos aspectos gerados pela repressão militar.

Segundo Ivo Malerba:

Os conflitos eram frequentes, com ameaças de intervenção, problemas com a polícia militar, com as forças militares em geral, o que foi se tornando corriqueiro. Nos momentos mais difíceis corríamos para ouvir o Pe. Ferreira, que com sua grande influência e os pés na realidade, orientava-nos.”

Vivíamos um processo de grande fermentação e agitação. Os militares exerciam pressão muito forte. Havia na Faculdade a presença de 20 a 30% de alunos militares. Dentre eles haviam os que municiavam o pessoal de fora com relatórios, que eram encaminhados para órgãos de segurança. O meu ´ batismo de fogo ’ foi em 1966, quando, em Congresso em São Paulo fomos presos e fui fichado no DEOPS.”




No livro do Prof. Francisco Sodero, podemos encontrar várias outras informações a cerca desse momento vivido pelos alunos e professores da Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Documento 1964: Para não esquecer...I

Neste ano não podemos esquecer-nos dos horrores da ditadura militar que completa seus 50 anos. Esta que teve seu inicio em 1964, em um conturbado momento da política nacional. 
Para ilustrar esta ideia traremos algumas fontes, documentos, fotos, videos e reportagens que marcaram essa época. E para abrir esta proposta, apresentamos aqui o fragmento de uma entrevista concedida pelo Prof. José Luiz Pasin ao Jornal UNISAL em maio de 2004.

“Eu era professor de História do Brasil, e, na época, contestava as declarações do ministro da Fazenda Delfim Neto, que fazia toda a apologia de que nós seríamos um novo Japão, aquela ufania do Brasil maior. Foi nesse contexto de agitação política na faculdade, aulas contestadoras, debates, que nós começamos a ser vistos como subversivos, embora eu não tivesse qualquer ligação com o Partido Comunista ou o Socialista, pois nunca acreditei nas ideologias. Em 1970, já sob o governo de Emílio Garrastazu Médici, depois de várias intervenções aqui na Faculdade, várias convocações de alunos e professores para depor na Polícia Federal, nós fomos presos na madrugada de 1º para 2 de novembro, e recolhidos no quartel do 5º Regimento de Infantaria de Lorena. [...] Ficamos presos alguns dias no quartel de Lorena, em função de boatos de que iríamos provocar uma série de atentados na região, o que era totalmente absurdo, pois nosso papel era apenas contestador.



Prof. José Luiz Pasin - 1977 
Foto: Museu Frei Galvão



Durante este ano estaremos aqui trazendo fatos ocorridos no Vale do Paraíba durante esses conturbados anos de repressão militar. Apresentando detalhes da participação da nossa região. Aqueles que puderem colaborar com informações, por gentileza, envie para o e-mail: diego@iev.org.br