sábado, 17 de setembro de 2011

José Brito Broca

“Conclusivamente, o que temos na literatura de Brito Broca é a essência da história, da memória e do patrimônio imaterial que necessita ser explorado, compreendido e disseminado para toda a sociedade”. Joaquim Roberto Fagundes


Escritor e jornalista José Brito Broca nasceu no dia 06 de outubro de 1903, na cidade de Guaratinguetá. Filho de André Broca e Benedita Marieta de Brito Broca, formou-se professor pela antiga Escola Normal de Guaratinguetá, hoje Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves.
Sempre muito crítico, ainda quando aluno, escrevia para jornais da cidade - o “Correio Popular” e “O Farol” – que era de oposição ao Comendador Rodrigues Alves, importante político desta cidade. Em um dos artigos que escreveu para “O Farol”, fez críticas diretas à referida personalidade e se viu “obrigado” a se mudar para São Paulo em 1927. No novo endereço, passa a exercer a profissão de jornalista, mais tarde em 1937 muda-se para o Rio de Janeiro a convite de Gilberto Amado[1].
No Rio de Janeiro e em São Paulo ele escreveu para os seguintes jornais e revistas, sendo redator de alguns destes: “A Gazeta”, “Correio da Manhã”, “O Estado de São Paulo”, “Jornal das Letras”, “Revista Leitura” e “Revista do Livro”.
Com a sua obra “A Vida Literária no Brasil 1900” conquistou vários prêmios: “Prêmio Paula Brito”, da prefeitura do Distrito Federal, “Prêmio Silvio Romero”, da Academia Brasileira de Letras, “Prêmio Fabio Prado”, da União Brasileira dos Escritores e o “Prêmio Luiza Claudia de Sousa”, do Pen Clube.
Entre as obras de Brito Broca, uma se destaca para a história de Guaratinguetá por trazer as memórias do autor quanto à sua terra natal. É o que nos fala o pesquisador Francisco Sodero Toledo em seu estudo intitulado “Decadência, medo e assombrações”:
“Brito Broca, em seu livro “Memórias”, recorda Guaratinguetá da sua infância, no início do século XX. Procurou reconstruir a sua província, a sua cidade que era ao mesmo tempo rural e urbana. Por meio de suas memórias pode-se reconhecer que:
‘A cidade ainda não tinha perdido totalmente o seu jeito de vil
a e o seu contato com o campo. As ruas e os bairros ainda eram extensões das casas e os vizinhos eram meio como parentes de todos. Os bairros periféricos terminavam onde começavam os campos, os sítios, a roça. ... As mulheres cuidavam das casas. As avós contavam histórias de assombrações, do saci e do tempo dos escravos. ’ (Addeo in Sodero Toledo, 2011)
Segundo Francisco de Assis Barbosa em apresentação feita na 4º edição do livro “A Vida Literária no Brasil 1900”: “Escritor sem biografia, nada de extraordinário aconteceu em sua vida,
toda concentrada no devotamento a literatura, que foi integral e absoluto. Do ofício de ler e escrever fez sua única razão de viver”.
Conta Barbosa de uma atitude de Brito que está registrada em um diário de reflexões e reminiscências que certa vez, “Certo Escritor” - conta ele -, “pouco amigo dos livros, embora goste de publicá-los, vendo-me preocupado com determinados problemas de pesquisa literária, dizia-me: - Do
que me admiro é da paciência que você tem com a literatura.../Nada respondi, mas pensei:/ - Pois eu, do que me admiro é da paciência que a literatura tem com você”.
Brito Broca, era apaixonado pelo Rio de Janeiro, mas também mantinha uma relação muito interessante com Guaratinguetá, que na sua juventude teve de abandonar por problemas de cunho político. Segundo Barbosa:
“Essa ternura pelo Rio, que foi dele, e que é também minha, não impediu a Brito Broca, como a mim por igual acontece, de continuar, amando a cidade em que nascemos, a nossa sempre lembrada Guaratinguetá. Na sua obra, numerosas são as referências a fatos e personagens locais, o que bem indica que jamais esqueceu a sua terra”
Quanto à sua formação, o professor José Luiz Pasin diz: “Sua formação era nitidamente francesa, mas as suas leituras desconheciam fronteiras, lia autores de todos os países e sua obra revela uma cultura vastíssima aliada a uma honestidade e dedicação que honram e dignificam sua memória”.
Brito Broca, faleceu no dia 02 de agosto de 1961 e foi uma grande e inesperada perda para o meio literário brasileiro. Segundo o professor Pasin: “Sua morte trágica ocorrida a 2 de agosto de 1961, colheu de surpresa os meios literários do Brasil, abrindo profunda lacuna no setor de estudos e pesquisas literárias, que dificilmente será preenchida, pois ninguém como ele soube amar e dignificar o nome de Guaratinguetá no cenário cultural de nossa pátria. [...].
Guaratinguetá comemorou por vários anos a Semana Brito Broca, em homenagem à memória deste grande ícone da literatura brasileira, mas por alguns nos, importante polque por motivos desconhecidos, deixou de acontecer.
Este é um pequeno trabalho, que dedico ao grande imortal da nossa região.
Obras:
Vida Literária no Brasil 1900
Os Americanos
Coelho Neto, romancista
Raul Pompéia
Machado de Assis e a política e outros estudos
Horas de Leitura
Traduções entre outras:
O Conquistador, de Jean Babelón
O Romance Russo, de Melchor de Vougé
Tibério, de Gregório Maranon
História, de Heredo
Seleções, de Voltaire
O Primeiro Amor, de Turguenev
Águas de Primavera, de Turguenev
Obras Póstumas
Quando Havia província
Pontos de Referência
Memórias
Letras Francesas
Referências
BROCA, José Brito. A Vida Literária no Brasil – 1900. 5º Ed – Rio de Janeiro: José Olympio: Academia Brasileira de Letras, 2005
FAGUNDES. Joaquim Roberto. Fontes Primárias no Vale do Paraíba. Brito Broca – Literatura, Memória e História. http://valedoparaibaarquivoshistoricos.blogspot.com/2010/05/o-ano-de-2011-marca-o-cinquentenario-de.html. 11 de maio de 2010.
SODERO TOLEDO, Francisco. Decadência, medos e assombrações. Lorena, http://www.valedoparaiba.com/nossagente/estudos/decadencia.pdf
PASIN, José Luiz. José Brito Broca. In LEITE, Aydano. Vultos de Guaratinguetá. S/Ed. Guaratinguetá, 1967.



[1]Gilberto de Lima Azevedo Souza Ferreira Amado de foi um jurisconsulto, escritor polígrafo, diplomata, jornalista, político brasileiro. Foi membro da Academia Brasileira de Letras

Pharmácia Popular de Bananal


Considerada a mais antiga do Brasil, em funcionamento, a “Pharmácia Popular” de Bananal foi inaugurada em 1830 e seus ornamentos, ainda conservados, nos levam a uma viagem no tempo pois estaremos em contato com medicamentos e objetos de manipulação de época.

Fundada pelo francês Tourin Domingos Mosnier, em 1830, passou por importantes momentos históricos do nosso Vale do Paraíba, um deles a revolução liberal de 1842, movimento que teve seu estopim na vizinha cidade de Silveiras; outro foi a Revolução Constitucionalista de 1932, que podemos lembrar através de um selo que se encontra fixado na lateral de um dos armários, recordando a atuação dos proprietários da farmácia, que lá também mantiveram um pequeno acervo contendo peças dessa revolução.

Com o advento da República, os proprietários da Farmácia se viram obrigados a alterar o nome do estabelecimento de “Pharmácia Imperial” para “Pharmácia Popular”, porque, por conta da necessidade de se criar a idéia de estado republicano, o governo fez com que tanto os locais públicos como os privados substituíssem nomes, referências e símbolos que fizessem alusão ao regime imperial.

Dos detalhes do estabelecimento, o que mais nos chama a atenção são seus balcões em pinho de Riga, decorados com ânforas, contendo água colorida com anilina, a maquina registradora que ainda faz parte da decoração, os livros de receitas de diversos medicamentos da época, o rico acervo de recipientes dos componentes medicinais da época e o revestimento em ladrilhos franceses que compõem esse expressivo ambiente histórico.

O estabelecimento teve como último proprietário o Sr. Plínio Graça, que herdou a farmácia do pai Ernani Graça, que o comprara em 1922, sob a condição de não modificá-la nem se desfazer de seu acervo. Plínio Graça foi vereador e prefeito por dois mandatos da cidade de Bananal, homem que mesmo com todas as modificações que seriam necessárias para o funcionamento nos dias atuais, manteve carinhos

amente esse acervo, que é muito importante para os estudos quanto à história das farmácias no Brasil e também para conhecermos um pouco mais sobre a a evolução e as tradições dessa importante cidade de nossa região.

No dia 30 de junho o Vale do Paraíba se despediu dessa ilustre figura, o senhor Plínio Graça que faleceu aos 87 anos.

Nós , os valeparaibanos, prestamos nossas sinceras homenagens à memória desse grande cidadão que deve ser visto como exemplo por todos, para que possamos criar uma cultura de preservação e resgate de nossa história.


Fotos: Jenyfer Ramos

Texto publicado no Jornal “O Lince” – Link para acesso: http://www.jornalolince.com.br/2011/ago/pages/memoria-pharmacia.php, e acessando através do link, você tem acesso a todas as fotos de Jenyfer Ramos.