sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dr. Flaminio Lessa

Guaratinguetá, assim como outras cidades do segundo império, foi celeiro de advogados respeitados e competentes, cujas origens tinham base na filiação de grandes cafeicultores, que destinaram seus filhos aos cursos jurídicos, em moda na época pelo prestígio social que proporcionava. Muitos se tornaram políticos importantes na região, ocupando cargos nas vilas de origem e na Assembléia Provincial. Outros, de origens diversas, estabeleceram bancas de advocacia em outras cidades, principalmente no interior, onde igualmente obtiveram prestígio, a exemplo do Doutor Flamínio Antônio do Nascimento Lessa, um guaratinguetaense por adoção.
Flaminio Lessa nasceu na capital paulista em 7 de setembro de 1820, onde bacharelou-se em Direito, pela Faculdade do Largo São Francisco (1843).
Como aluno, segundo Almeida Nogueira (1907), era “Inteligente e regularmente aplicado. Desde os bancos acadêmicos, começou a lutar pela vida, pois a fim de prover-se dos necessários recursos, para os seus estudos, dava aulas de preparatórios [...]”. E sempre envolvido em polemicas pela imprensa, sendo vitima das sátiras de seus adversários, como a do Doutor João Mendes de Almeida (NOGUEIRA, 1907):

“...Por achar a porta aberta
Nas arcadas penetrou.
Á cata de um pergaminho
Que humildemente impetrou.

Tantas vezes foi ao Curso,
Tantas vezes lá entrou,
Que um dia o Carlos Godinho[1]
Bacharel o despachou.

Foi assim que tal pançudo,
Tendo por sorte a tripeça,
Por fado ou destino seu,
Assignou-se – Doutor Lessa.”

Mas, observa Nogueira, “Não obstante a malevolência destes epigramas exclusivamente inspirados pelo preconceito partidário, o Dr. Flaminio Lessa assinalou-se não somente pelo seu merecimento intelectual, como pela nobreza dos seus sentimentos; e sempre gosou da estima dos seus concidadãos”. Estima e nobreza que os cidadãos de Guaratinguetá vão conhecer tão bem.
Um ano depois, em 1844, é nomeado para Guaratinguetá, como juiz municipal da comarca, que se estendia até a cidade de Bananal.
Na cidade, foi membro do partido Liberal, pelo qual se elegeria, anos mais tarde, Deputado na Assembléia Provincial de São Paulo, e Deputado Geral na Assembléia Geral do país.
Entre os fatos curiosos de sua personalidade esta ligada a forma com que tratava a todos. Bueno explica que este era “De trato fácil e acessível, do mesmo modo com que cumprimentava e abraçava com o máximo de respeito e acatamento qualquer nobre da época, também acariciava e abençoava com ares paternais escravo que lhe pedisse logo a bênção.”
Em eu testamento, selando a preocupação que sempre teve com os seus, ele deixa 2:000$000 (dois contos de réis) aos pobres da cidade, e 4:000$000 (quatro contos de réis) para que fossem distribuídos ao pobres recolhidos. Também deixou, na atual Praça Conselheiro Rodrigues Alves, o prédio de sua residência para o governo provincial, com a estrita condição de que nele funcionasse uma escola de ensino público, onde primeiramente abrigou o Grupo Escolar Flaminio Lessa e hoje abriga a Secretaria de Educação.
Toda a sua fortuna que orçava os 74:000$000 setenta e quatro mil contos de réis, foi todo distribuído em obras de instrução publica, pobreza desvalida e asilada, afilhados parentes e amigos.[2]
Faleceu em 9 de fevereiro de 1877, e seu cortejo se assemelhou a uma procissão, o povo formou uma enorme massa, todos que compareceram vinham empunhados cada qual com uma vela acesa, o que demonstrava sinal de respeito e carinho da população. Hoje nome deste ilustre cidadão é pouco lembrando, mas seus atos jamais serão esquecidos.

Referências:

LEITE, Aydano. Vultos do Presente e do Passado. Guaratinguetá, 1967.
NOGUEIRA, Almeida. A Academia de São Paulo – Tradições e Reminiscências. São Paulo, 1907.

[1] Segundo Almeida Nogueira este Godinho a que se refere o poeta era, então, o porteiro da Academia.
[2] Segundo o texto de Geraldo de França Bueno.

Um comentário:

  1. Gostaria de mandar-lhe um e-mail sobre o lançamento da biografia de Pedro Lobo de Oliveira, um ex-sagento da Força Pública que é filho de Natividade da Serra e, hoje, mora em São José dos Campos.
    Pedro pegou em armas contra o regime militar pós 64, foi banido do Brasil e passou por uma séries de países - Argélia, Cuba, Chile, Argentina, antes de morar, por oito anos, na extinta Alemanha Oriental.
    No livro tem inúmeras passagens interessantes envolvendo Natividade, Caraguatatuba e São José.
    Se puder me enviar seu e-mail, pois não achei nenhuma forma de contato no seu blog a não ser as postagens.
    meu e-mail joao@pedroeoslobos.com
    Muito obrigado.

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