quarta-feira, 28 de julho de 2010

CONFIRA!!!

O novo blog do Prof.Pesquisador Joaquim Roberto Fagundes onde ele apresenta um rico acervo de fotografias da cidade de Guaratinguetá, vale a pena conferir!!!!!!!


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Programação do XXIV Simpósio de História do Vale do Paraíba


11/08/2010 – Quarta-feira
Local: Departamento de Ciências Sociais e Letras - UNITAU
17h - Credenciamento
19h – Abertura solene
19h30 – Apresentação cultural: Jongo – Grupo Mistura da Raça de São José dos Campos
20h – Conferência de Abertura: Cultura e catolicismo popular, uma análise antropológica
Prof. Dr. Carlos Rodrigues Brandão (UNICAMP)

12/08/2010 – Quinta-feira
Manhã
9h – Visita ao Arquivo Histórico de Taubaté
10h30 – Visita à Casa do Figureiro
Tarde
14h – Visita ao Centro de documentação e Pesquisa Histórica da UNITAU
15 – Visita monitorada ao Solar da Viscondessa do Tremembé
17h – Apresentações dos pôsteres
Noite
Local: Auditório do Departamento de Ciências Sociais e Letras - UNITAU
19h – Apresentação cultural
20h – Palestra: Do Divino Espírito Santo ao Círio de Nazaré: festas, religiosidades e fluxos identitários na contemporaneidade
Prof. Dr. José Rogério Lopes (UNISINOS)


13/08/2010 – Sexta-feira
Local: Departamento de Ciências Sociais e Letras - UNITAU
Manhã
9h – Comunicações orais (salas simultâneas)
Tarde
14h – Salas temáticas
Sala 1 – Festa do Divino de São Luiz do Paraitinga (João Rafael Cursino dos Santos e José de Arimatéia)
Sala 2 – Moçambique (Mestre Paizinho)
Sala 3 – Folia de Reis nos Bairros rurais: ciclo devocional e festivo no Sertão da Serra da Bocaina (Marcelo Toledo)
Noite
19h – Mesa-redonda – “Folclorização e festas populares no Vale do Paraíba”
Prof. Ms Luzimar Golart Gouvêa (UNITAU), Prof. Dr. André Luiz da Silva (UNITAU), Marinilza Rocha de Araújo Faria, Rita de Cássia Gouvêa, Simone Fonseca da Silva
21h – Aula show: “O desafio da cultura popular na contemporaneidade: Festa do Divino de São Luiz do Paraitinga” – João Rafael Cursino, Álvaro e Galvão Frade

14/08/2010 – Sábado
Local: São Luiz do Paraitinga
9h – Palestra: Festa do divino: a construção do festejo em uma cidade em reconstrução
Exibição do documentário
Prof. Dr. José Felício Goussain Murade (UNITAU)
9h30 - Conferência “Cultura imaterial”
Ana Beatriz Ayrosa Galvão - Superintendente do IPHAN
11h – Cerimônia de encerramento
Entrega do Prêmio Marcelo de Ipanema
Entrega dos Prêmios aos melhores trabalhos apresentados
Ato do IEV para escolha do tema e da sede para o Simpósio de 2011.
12h – Apresentação cultural
13h – Almoço de confraternização por adesão

domingo, 11 de julho de 2010

DENÚNCIA - EM "VALE DO PARAÍBA - DOCUMENTOS HISTÓRICOS" BOMBA!!!!!!!!!

Pasmem! O Museu Histórico Pedagógico Major Novaes está em ruínas, caindo parte a parte todos os dias. Um exemplo monstruoso do descaso público pela memória e a história do Vale do Paraíba. Um desrespeito ao ser humano, um exemplo de que o país não tem futuro.O Museu Major Novaes localizado, em Cruzeiro-SP, está na iminência de cair totalmente, mesmo com as autoridades municipais passando todos os dias ao seu lado.Considerável parte já não existe mais e agora está ruindo a parte central, sem que alguém tome providências a respeito......... (CLIQUE AQUI E VEJA A NOTÍCIA COMPLETA) no Bolg do Professor Pesquisador Joaquim Roberto Fagundes

sábado, 3 de julho de 2010

OS PRIMEIROS TEMPOS DO CAFÉ

O café entrou no Brasil em 1727, trazido pelo Sargento mor Francisco de Melo Palheta. E a partir da segunda metade do século XVIII já se encontrava no Rio de Janeiro[1] e em São Paulo.
Na Capitania do Rio de Janeiro, o café é cultivado primeiramente na cidade do Rio de Janeiro e na baixada fluminense (MARTINS, 1990: 7). Posteriormente nas vilas de Vassouras, Valença e Barra Mansa, e, em 1782, segundo Taunay, em Rezende[2] (COELHO, 1984: 51).
Na região paulista as notícias são variadas e conflitantes, entre os autores e entre esses e as informações documentais da época.
Milliet afirma que por volta de 1780 não se cogitava em café na região e que somente em 1798 ele aparece na pauta das exportações, em ínfima quantidade - apenas sete sacas - (1982: 16). Taunay, por outro lado, fala em franca produção em 1785 (COELHO, 1984: 50) e o Marechal Arouche, em 1795, na existência de muitas plantações no planalto paulista, inclusive na própria Piratininga (BAPTISTA FILHO, 1952: 2)[3]. Nos Maços de População, porém o que se vê em franca atividade são apenas engenhos de cana, criação de animais e o cultivo de alimentos de subsistência.
Parece coerente aplicar para São Paulo, em especial no vale do Paraíba, a assertiva utilizada por Evangelista (1978: 95) e Marcondes (1998: 64) ao referir-se sobre o café no município de Lorena: “a cultura do café estava penetrando de maneira desigual...” e coexistirá com a cana-de-açúcar, a aguardente e os tradicionais produtos de subsistência (milho, arroz, feijão e farinha de mandioca), o algodão e o fumo. E, ao mesmo tempo, seguir a lógica, defendida pela maioria dos autores, que a partir de Rezende, cultivado em maior escala, o café seguiu em direção a Bananal, São José do Barreiro e Areias, no itinerário do “caminho novo”, e daí para as região de Lorena, no rumo da antiga Estrada Real.
Em Areias aparece por volta de 1790 e, em Bananal, nos princípios do século XIX (COELHO, 1984: 51), também em escala reduzida.
Em Lorena intensifica-se a partir da década de 1820, como principal cultura de exportação e de maior dinamismo (MARCONDES, 1998: 66), onde o produto encontrou solo propício na região do Porto do Meira, Embaú, Limoeiro e Registro Velho, à margem esquerda do Paraíba, até a serra da Mantiqueira (EVANGELISTA, 1978: 93).
O apogeu ocorreria entre os anos de 1854 e 1886 (MILLIET, 1982: 34), com destaque para as cidades de Bananal e Areias como principais produtoras, suplantado outros produtos na pauta das exportações (Tabela 1).




ESTRUTURA DA FAZENDA DE CAFÉ

O historiador Carlos Eugênio Marcondes de Moura, realizou na década de 1970, um intenso levantamento sobre as principais fazendas de café no Vale do Paraíba, com ênfase nas propriedades do vale histórico, mostrando como estava montada a estrutura dessas unidades produtoras, verdadeiros centros independentes refletidos nos inventários de época (MOURA, 2002: 150-156). Tomando como base tal levantamento pode-se dizer que estavam divididas da seguinte forma: edifícios e casas de serviços; edificações e implementos de beneficiar café; casas de morada; senzalas; tulhas e paióis; engenhos de cana, moinhos e prensas; enfermarias e boticas, edificações mistas (selaria, marcenaria e malaria) e tenda de ferreiro. Além destas, contava-se ainda com terreiros para secagem do café e casas para agregados.
Toda essa divisão poderia ser classificada em: núcleo industrial (terrenos, tulhas e casas de máquinas); viveiros e casas de vegetação; núcleos habitacionais (casa-grande, senzala e colônia); a arquitetura do cafezal, influenciada pela técnica de maquinário agrícola, e também pelas condições sócio-econômicas e ecológicas; e os edifícios e instalações destinados a abrigar atividades complementares e suplementares da fazenda (FERRÃO, p, 7).
A distribuição destes ao longo da área, constituía num quase autêntico feudo medieval, com a presença, acrescida muitas vezes, por uma pequena capela ou tão somente um oratório particular[4], tudo cercado por muro de taipa ou de cerca natural. Em geral, o complexo era desenhado em quadra e ao redor agregavam-se apêndices, como novos terreiros e edificações (FERRÃO, P. 7).
Esses prédios, em sua maioria, eram construídos em taipa de pilão (PASIN, 2007: 10), principalmente aqueles erigidos na primeira metade do século XIX, com grossas paredes e madeiras robustas de lei, com destaque para as sedes das fazendas, que eram as de melhor acabamento interno e de maior dimensão, com diversas divisões internas e assobradadas[5]. Eram concebidos no sentido de organizar os espaços e as formas dos sítios, planejarem o layout do cafezal, implantando-o nas encostas dos morros, sem a preocupação com o trato mecanizado, nem com o plantio em nível, e desenhar a grande quantidade de instalações complementares e suplementos, destinadas ao abastecimento e a manutenção de uma unidade de produção quase autárquica (FERRÃO, p. 7).
Posteriormente, a sede da fazenda foi construída de alvenaria – tijolos, telhas e madeira, retirada em grande parte das matas da propriedade. No entorno alqueires de mata nativa eram conservados para proteger as cabeceiras dos cursos d’água, que cruzavam a fazenda, além de ser uma preciosa fonte de madeira e lenha. A água era proveniente de nascentes próximas ou então de poços. A roda d’água supria a necessidade de energia (BAPTISTA FILHO, 1952: 6).
As casas grandes eram dotadas internamente de grandes salões e pequenas alcovas sem ventilação, e externamente, de terraços e alpendres ao centro, ladeados por escadarias, pomares e hortas. Eram construídas em locais bem drenados e expostos ao sol, porém próximas a um córrego (FERRÃO, 7).
Quanto às senzalas, era o significado de autonomia para o controle de vários aspectos da vida material e cultural do escravo. A senzala era o escravo (MARQUESE, 2005: 166).
Existiam três tipos de vivenda escrava: as senzalas de “pavilhão”, edifício único com pequenos recintos ou cubículos separados para os escravos solteiros e casados; as senzalas de “barracão”, onde viveriam escravos e escravas solteiros em grandes recintos separados; e as senzalas “cabanas”, onde viveriam escravos solteiros e casados do mesmo sexo (APUD, p. 167).
Principalmente nas senzalas cabanas, os cativos teriam acrescido no Brasil várias técnicas de construção empregadas em seu continente de origem, como o uso de paus de forquilha para a sustentação da cobertura, a adoção de um formato retangular para as cabanas, com teto de duas águas e cômodos pequenos e ausência de janelas. A cabana, para o escravo, não era o local de moradia no sentido burguês, mas apenas o local do sono ou do abrigo contra as variações de tempo; o habitat, portanto, se desenrolaria antes no entorno da cabana do que no seu interior (APUD, p. 167).
Existia, ainda, a senzala em quadra, isto é, edifícios contínuos erigidos em formato retangular e subdivididos em compartimentos ou cubículos, todos voltados para um terreiro ou pátio com entrada única guardada por um portão de ferro (APUD, p. 167). Caracterizava-se por seu isolamento, garantido por meio de sua disposição retangular e muito utilizada no Vale do Paraíba entre 1840 e 1880.
E, também as choças, que eram casebres que seguiam os padrões africanos de moradia e parece ter sido também o modelo utilizado até a 4ª década do século XIX no Vale do Paraíba (APUD, p. 172).
A partir de 1847, sobre senzalas vai aparecer recomendações sobre a construção de senzalas, presentes no trabalho de Francisco Peixoto de Lacerda Werneck (Barão de Paty do Alferes), que recomendava principalmente o cuidado com a saúde dos escravos e vigilância estreita sobre eles. Deveria acomodar quatro escravos solteiros, e no caso de casais, marido e mulher com filhos, conter 24 palmos quadrados e uma varanda de oito palmos de largo em seu cumprimento, voltada para a quadra do terreiro (APUD, p. 173).

Referências:

BAPTISTA FILHO, Olavo. A fazenda de café em São Paulo. Rio de Janeiro: Serviço de informação Agrícola, 1952.
COELHO, Helvécio Vasconcelos de Castro. Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá. In: Revista da Asbrap, nº 08, 2004.
COELHO, Lucinda Coutinho de Mello. Ensaio sócio-econômico de áreas valeparaibanas. Rio de Janeiro: Asa Artes Gráficas, 1984.
EGAS, Eugênio (org.). Os Municípios Paulistas. São Paulo: Seção de Obras D’ Estado de São Paulo, 1925.
EVANGELISTA, José Geraldo. Lorena no Século XIX. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, 1978. (Coleção Paulística, 7)
FERRÃO, André Munhoz de Argollo. A Fazenda Cafeeira. http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/a_fazenda_cafeeira_7.html. Acesso em: 03 nov. 2007, 9:45:27.
HERRMANN, Lucilla. Evolução da Estrutura Social de Guaratinguetá num período de trezentos anos. São Paulo: Revista de Administração/USP, 1948.
MARCONDES, Renato Leite. A arte de acumular na economia cafeeira: Vale do Paraíba - Século XIX. Lorena-SP: Stiliano, 1998.
MARQUESE, Rafael de Bivar. Moradia Escrava na Área do Tráfico Ilegal: senzalas rurais no Brasil e em Cuba, c. 1830-1860. In: Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material. n º 2, v. 13, jul-dez. 2005.
MARTINS, Ana Luiza. Império do Café: a grande lavoura no Brasil - 1850-1890. 3. ed., São Paulo: Atual, 1990.
MILLIET, Sergio. Roteiro do Café e outros ensaios: contribuição para o estudo da história econômica e social do Brasil. 4. ed., São Paulo: Hucitec, 1982. (Estudos Rurais).
MOTTA, José Flávio. Corpos Escravos, Vontades Livres: posse de cativos e família escrava em Bananal - 1801-1829. São Paulo: Annablume/Fapesp, 1999.
MOTTA Sobrinho, Alves. A Civilização do Café. São Paulo: Editora Brasiliense, 1967.
MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. O Visconde de Guaratinguetá – Um titular do café no Vale do Paraíba. 2. ed., São Paulo: Studio Nobel, 2002.
PASIN, José Luiz. Os Barões do Café - Titulares do Império no Vale do Paraíba Paulista. Aparecida-SP: Vale Livros, 2001.
______________. Vale do Paraíba: história e cultura. Lorena-SP: Gráfica e Editora Santa Tereza, 2007.
[1] Roberto Simonsen, citado por Motta, refere-se ao Desembargador João Alberto Castelo Branco, como o responsável por trazer, por volta de 1770, as primeiras mudas de café para o Rio de Janeiro (MOTTA, 1999: 48).
[2] Alves Motta Sobrinho, com base em Taunay, refere-se ao café em Rezende citando o relato de um antigo morador de Bananal, Joaquim Pinto, que dizia ter sido feita a primeira plantação na região naquele ano (MOTTA SOBRINHO, 1968: 23).
[3] No declino do século XVIII, por boa parte do Vale do Paraíba, havia cafezais em locais como Guaratinguetá, Taubaté, Bananal, Pindamonhangaba e Jacareí. “Terras ainda não utilizadas, fertilíssimas, proporcionaram magníficas produções anuais, que eram negociadas no portos do Rio e Ubatuba. Nessa época não havia ainda qualquer ligação dessa região com a capital da província ou mesmo com Santos, de sorte que o porto de Ubatuba, no litoral paulista, desempenhou durante algum tem papel de relevo no escoamento e da produção obtida nas fazendas do vale” (BAPTISTA Filho, 1952: 1).
[4] O oratório era uma particularidade muito presente nas sedes das fazendas, fruto da forte influência religiosa no país, sendo um local especialmente reservado para a realização de missas, casamentos e batizados, desde que tivesse Breve Apostólico expedido pelo bispo. Segundo o pesquisador Joaquim Roberto Fagundes documentos dessa natureza podem ser encontrados no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo.
[5] As construções que predominavam são aquelas de dois pavimentos, com pé direito de 4 metros. São sobradões amplos, de construção sólida, mas sem requintes de acabamento. No térreo ficam o escritório, o depósito e outros serviços, no superior os quartos de dormir, sala de jantar, cozinha, dispensa e banheiro. No exterior possuem varanda com escada (BAPTISTA FILHO, 1952: 6).