sábado, 5 de junho de 2010

Areias


Por Diego Amaro de Almeida e Máira Rosângela Lourusso Beraldo Santos

O Vale do Paraíba Paulista, desde o início de seu povoamento, tem se destacado política e economicamente, exercendo um papel preponderante no desenvolvimento do país.
E, nesse aspecto, merece destaque a cidade de Areias, localizada entre Cunha, Silveiras, Queluz, São José do Barreiro e Rezende.
Foi criada como vila em 14 de maio de 1787, no local que servia de pouso para tropas entre as vilas de Lorena e Resende[1], no traçado do Caminho Novo para o Rio de Janeiro, numa importante zona de fronteira aberta; tendo pertencido anteriormente aos municípios de Guaratinguetá e Lorena, período em que as primeiras famílias se estabeleceram na região, vindas de Taubaté, Pindamonhangaba e Guaratinguetá.
Com o passar dos anos foi desmembrada, formando os atuais municípios de Cruzeiro, Queluz, Silveiras, Bananal e São José do Barreiro.



No século XIX foi o principal centro produtor de café da região, onde a riqueza trouxe fantásticas e ricas construções, modificando estilos e maneiras de viver. É considerada como o “Berço do Café” na região.Sua produção era tamanha que, em medos daquele século, representava um décimo do total da produção agrícola da província. Com a decadência do produto, já no século XX, perdeu a sede da comarca e com o decreto-lei 9.775, de 30 de novembro de 1938 acabou por ser anexada à Queluz, que anteriormente era parte de seu extenso território.Hoje é um importante marco na cultura e na história valeparaibana, principalmente por seu rico patrimônio artístico, como o Solar do Capitão-Mor (Hotel Sant’Anna), onde esteve hospedado Dom Pedro I em agosto de 1822, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha; o casarão da rua XV de Novembro, onde morou Monteiro Lobato, ainda recém-casado em 1908, a igreja matriz, outros prédios e sobrados.
O prédio acima apresentado foi construído no ano de 1833 para abrigar a antiga Câmara de Vereadores e a cadeia publica. Mais tarde se tornou o fórum local, onde o famoso escritor Monteiro Lobato trabalhou como promotor público 1907 a 1911. Hoje, o prédio é parte de um rico cenário histórico que retoma o glorioso passado de Areias, abrigando atualmente a Casa da Cultura.


Referências

HERRMANN, Lucilla. Evolução da Estrutura Social de Guaratinguetá num período de trezentos anos – São Paulo. São Paulo: Revista de Administração/USP, 1948.
MAIA, Thereza Regina de Camargo. O Vale Paulista do Rio Paraíba. Rio de Janeiro: Documenta Histórica Editora, 2005.
MILLIET, Sérgio. Roteiro do Café e outros ensaios: contribuição para o estudo da história econômica do Brasil. São Paulo: Bipa, 1946.
MOTTA, Sobrinho Alves. A civilização do Café. São Paulo: Editora Brasiliense, 1967
NASCIMENTO, Guido Gilberto do. Areias: Berço do Café no Vale do Paraíba Paulista. Lorena-SP, 2004.
PASIN, José Luiz. Vale do Paraíba: História e Cultura. Lorena-SP: GRAFIST, 2007.


[1] Anteriormente conhecidas como Guaypacaré (Lorena) e Campo Alegre (Resende).



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