sexta-feira, 16 de abril de 2010

Fragmentos da História das Cidades de Lorena e Piquete

Lorena e Piquete eram administrativamente ligados. A primeira era a cabeça do termo e a segunda um incipiente bairro surgido ao longo de um caminho. Posteriormente a segunda foi elevada a vila.
A vila de Lorena é uma das mais antigas do vale do Paraíba e o seu povoamento se dá ainda no século XVII, com as primeiras sesmarias doadas na região onde seria o futuro núcleo urbano (COELHO,2004), onde, em 1705, nasceu a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Gaypacaré (EVANGELISTA,1978), e administrativamente parte do território de Guaratinguetá. Nesse período ficaram conhecidas as famosas roças de Bento Rodrigues Caldeira.
No século XVIII, com o correr do tempo houve um aumento considerável da população, parte dela oriunda de diversas regiões da Capitania de São Paulo, o que fez aumentar seu território, principalmente em direção a serra da Mantiqueira, onde na primeira metade deste século seria muito utilizada a Estrada Geral (ou Real) em direção a Minas que deu dinamismo ao local, principalmente com o transporte e o abastecimento।



Em 1788, o Governador da Capitania de São Paulo – Bernardo José de Lorena, através da portaria de 6 de setembro de 1788, elevou Lorena à categoria de Vila, abrangendo, assim, todo o território desde a sede até os limites do Rio Piraí ou Campo Alegre (Resende).
Em 1799, aparece as primeiras plantações de café na vila, sendo produzidas e exportadas a pequena quantia de 39 arrobas (EVANGELISTA,1978).
A vila de Piquete vai aparecer pela primeira vez como bairro de Lorena em 1828, com 63 casas, 303 habitantes livres e 123 escravos e a sua economia tinha como base a agricultura e o tráfego para escoamento de mercadorias pela estrada da serra de Itajubá. Há que ressaltar que toda a vida do lugarejo passou a orbitar em torno deste caminho. O povoado ganhava fôlego na época das secas, com a possibilidade de melhor acesso aos viajantes, para quase se isolar na estação das águas. Muitos trechos tornavam-se intrasitiáveis e pontes eram levadas pelas enchentes.
A grande produção de café em Lorena vinha desse bairro, em grande número de tropas que transportavam a produção. E isso trouxe desenvolvimento urbano da localidade que, em 20 de dezembro de 1864, conseguiu autorização de Dom Sebastião Pinto do Rego, Bispo de São Paulo, permitindo que fosse construída a capela do bairro, sob a invocação de São Miguel e, em sua elevação à freguesia, em 22 de março de 1875, através do decreto nº10. Em 17 de maio de 1891 foi elevada a categoria de Vila, com a denominação de Vila Vieira de Piquete, em homenagem ao cafeicultor Custódio Vieira da Silva, parente do Visconde de Guaratinguetá, titular das fazendas do Carmo e Fortaleza, localizadas no mesmo território.

Referências

COELHO, Helvécio Vasconcelos de Castro. Vila de Santo Antonio de Guaratinguetá. In: Revista da Asbrap, nº8, 2004
EGAS, Eugênio(org.). Os Municípios Paulistas. São Paulo: Seleção de Obras D´Estado de São Paulo, 1925.
EVANGELISTA, José Geraldo. Lorena no século XIX. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, 1978. (Coleção Paulística, 7)

2 comentários:

  1. Tudo bem que eu li antes de ser postado... Estou em vantagem.. Parabéns pela publicação, uma contribuição valeparaibana é sempre muito bem recebida.
    Quem sabe não surge uma publicação sobre Guaratinguetá, fica a dica.. kk..

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  2. Diego parabéns pelo blog é um orgulho de toda sua equipe do IPHR. Me coloco a disposção se querer um banner ou qqer coisa para deixar aqui mais interessante ainda. Colegas são para estas coisas e só falar...

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