terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sábado cultural para membros do IEV e Academia de Letras de Lorena

Membros do IEV – Instituto de Estudos Valeparaibanos e da Academia de Letras de Lorena estiveram no sábado, dia 06 de novembro, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Além das exposições fixas, foi possível apreciar uma amostra da produção literária do escritor português Fernando Pessoa.

Membros do IEV e Academia de Letras - Estação da Luz

“Uma espécie de labirinto no qual cada passo leva o visitante a uma experiência poética única, dividida em vozes e estilos diferentes, mas oriundos de uma mesma fonte: a escrita de Fernando Pessoa. A exposição “Fernando Pessoa, plural como o universo”, a primeira sobre um autor português no Museu da Língua Portuguesa, pretende mostrar a multiplicidade da vida e da obra do poeta, que se revela nos versos das dezenas de heterônimos (nomes imaginários sob os quais o autor identificava obras escritas por ele, mas com características próprias) e personagens literários criados por ele. Poemas impressos e projetados, fac-símiles de documentos, imagens de Pessoa e quadros de pintores portugueses compõem o visual da exposição, que tem ainda um vídeo feito pelo documentarista Carlos Nader, com roteiro de Antônio Cícero. A exposição tem a curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, cenografia de Hélio Eichbauer, design gráfico de Heloisa Faria sob a coordenação geral de Julia Peregrino”. (site do Museu da Língua Portuguesa)
Na mesma oportunidade, o grupo prestigiou o dramaturgo lorenense, membro da Academia de Letras de Lorena, CAIO DE ANDRADE, no Espaço Cultural SESC Santana, com a peça ROCKANTYGONA.


Membros do IEV e Academia de Letras de Lorena, Caio de Andrade e Atores da Peça

Sinopse
A história conta a trajetória de Antígona, que deseja enterrar seu irmão Polinices, morto em combate contra Tebas. O governante da cidade, Creonte, decreta que os mortos que atentaram contra a cidade não recebessem enterro ou qualquer rito funerário. Antígona desafia as leis e enterra o irmão, sozinha, sendo depois presa e condenada à morte.

Antígona fala de rompimento, insatisfação, fúria juvenil e enfrentamento. Que cada um, no seu tempo e espaço, crie ou recrie o seu próprio manifesto contra a intolerância.

sábado, 23 de outubro de 2010

Lançado o Livro - "Guaratinguetá: Ontem e Hoje"

No dia 23 de outubro de 2010, foi lançado em Guaratinguetá, o Livro “Guaratinguetá: Ontem e Hoje” de autoria de Thereza e Tom Maia, o livro conta com a colaboração do Prof.Pesquisador Joaquim Roberto Fagundes na organização dos textos.


Thereza Maia, Eu e Tom Maia


Eu, Benedito Lourenço Barbosa (Jornal O Lince) e o Pesquisador Joaquim Roberto Fagundes


O livro faz parte de uma coleção organizada pela Editora Noovha América que tem com título: “Conto, Canto e Encanto com a minha História”.

Capa do Livro


Segundo palavras dos autores:
“Encantos não lhe faltam para contar e cantar, do turismo religioso às trilhas da Mantiqueira, passando por doces, salgado, receitas exóticas, festas e músicas de banda, sem esquecer as lendas e mitos e até assombrações famosas...
E assim, contando e cantando, Guaratinguetá espera mesmo é encantar seus leitores com sua história de séculos, fatos e folclore”
E com certeza ira encantar, como toda a obras destes dois grandes escritores da história valeparaibana.
Não poderia deixar de citar aqui tambémum dos grandes pesquisadores de Cunha o Prof. João José de Oliveira Veloso, que nos agraciou com sua presença para uma tarde de autógrafos, de seu novo livro, também lançado recentemente “ A História de Cunha – 1600 – 2010: Freguesia do Facão – A Rota da Exploração das Minas e Abastecimento de Tropas.”
Nesta obra João Veloso reuniu improtantes fatos que apresenta de forma geral, nos dando um perpectiva da História de Cunha desde sua formação até os dias atuais.

João Veloso e Eu

Hoje nossa região foi mais uma vez presenteada com a nossa história, fazendo com que nossa memória se perpetue durante os anos.

Parabéns aos Autores e Editora

Fotos: Jenyfer Ramos

Visita as Cidades de Bananal, São José do Barreiro e Areias

No dia 17 de outubro de 2010. Os alunos dos cursos de História e Geografia da UNISAL – Lorena, visitaram as cidades de Bananal, São José do Barreiro e Areias.
Foram acompanhados pelo Professores Antonio Tadeu de Miranda Alves e Diego Amaro de Almeida e pelas Fotógrafas Jenyfer Ramos e Andréia Marcondes.


Em Bananal, estivemos em duas belas propriedades, a Fazenda Resgate antiga produtora de Café, que em outrora pertenceu a Manuel de Aguiar Valim. E a Fazenda Boa Vista que foi de propriedade do Comendador Luciano José de Almeida, sogro de Manuel Aguiar Valim.
Hoje a Fazenda Resgate pertence ao ilustre Comandante Braga, que mantêm a Fazenda Restaurada e aberta para visitantes. A Fazenda Boa Vista se tronou cenário de muitas novelas e hoje é um belíssimo hotel fazenda, mas mantém a beleza do áureo período do café.
Em São José do Barreiro a unidade visitada foi a Fazenda Pau d´alho, esta foi a primeira fazenda do Vale do Paraíba Paulista a ser construída elusivamente para o plantio do Café, não tendo que passar por alterações como outra unidades que antes produziam açúcar ou outro tipo de cultura. E uma das poucas a manter a estrutura original. Um belíssimo exemplar que também está aberto a visitação.



A visita terminou em Areias onde conhecemos seu centro histórico, e sua Igreja Matriz.


Para saber mais sobre o Vale acesse: http://www.valedoparaiba.com/
Fotos: Jenyfer Ramos e Andréia Marcondes

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Tema para o Simpósio de História do Vale do Paraíba - Por Joaquim Roberto Fagundes


A documentação do Vale do Paraíba sempre foi uma preocupação em minha experiência de vinte e cinco anos trabalhando com pesquisa histórica. Primeiro por conhecer de perto a riqueza nela contida; em segundo, por ver a situação de conservação e guarda dos acervos da região; em terceiro, por saber que minimamente foi utilizada para o aprimoramento do conhecimento histórico na região.
Partindo dessas premissas é que propus no último dia 14 de agosto, em São Luiz do Paratinga, o tema “Documentação, Pesquisa e Educação: Um Novo Pensamento para a História do Vale do Paraíba”, que foi aprovado e que será discutido no próximo Simpósio de História do Vale do Paraíba, no Centro Salesiano de Lorena, sob a batuta do Instituto de Estudos Valeparaibanos.
Em todos esses anos, poucos foram os historiadores que renovaram a historiografia valeparaibana por meio de documentos inéditos. Poucas foram as medidas de preservação colocadas em prática. A falta de incentivo por parte das academias e das universidades, e o precário ensino da história e da arquivística deram margem para tais situações. A região está ilhada, necessitando urgentemente viabilizar projetos de conservação, guarda e elaboração de instrumentos de pesquisa capaz de colocar a região no rol de desenvolvimento alcançado por outras localidades do país, para, assim, acompanhar as novas tendências historiográficas em pauta nos mais importantes cursos de pós-graduação. O Vale do Paraíba é uma das mais antigas regiões de São Paulo e, portanto, com um patrimônio antigo a ser preservado. E, na onda de preservação do meio ambiente e da cultural imaterial, ficaram esquecidos os arquivos e os documentos. PARA CONTINUAR LENDO CLIQUE AQUI

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dr. Flaminio Lessa

Guaratinguetá, assim como outras cidades do segundo império, foi celeiro de advogados respeitados e competentes, cujas origens tinham base na filiação de grandes cafeicultores, que destinaram seus filhos aos cursos jurídicos, em moda na época pelo prestígio social que proporcionava. Muitos se tornaram políticos importantes na região, ocupando cargos nas vilas de origem e na Assembléia Provincial. Outros, de origens diversas, estabeleceram bancas de advocacia em outras cidades, principalmente no interior, onde igualmente obtiveram prestígio, a exemplo do Doutor Flamínio Antônio do Nascimento Lessa, um guaratinguetaense por adoção.
Flaminio Lessa nasceu na capital paulista em 7 de setembro de 1820, onde bacharelou-se em Direito, pela Faculdade do Largo São Francisco (1843).
Como aluno, segundo Almeida Nogueira (1907), era “Inteligente e regularmente aplicado. Desde os bancos acadêmicos, começou a lutar pela vida, pois a fim de prover-se dos necessários recursos, para os seus estudos, dava aulas de preparatórios [...]”. E sempre envolvido em polemicas pela imprensa, sendo vitima das sátiras de seus adversários, como a do Doutor João Mendes de Almeida (NOGUEIRA, 1907):

“...Por achar a porta aberta
Nas arcadas penetrou.
Á cata de um pergaminho
Que humildemente impetrou.

Tantas vezes foi ao Curso,
Tantas vezes lá entrou,
Que um dia o Carlos Godinho[1]
Bacharel o despachou.

Foi assim que tal pançudo,
Tendo por sorte a tripeça,
Por fado ou destino seu,
Assignou-se – Doutor Lessa.”

Mas, observa Nogueira, “Não obstante a malevolência destes epigramas exclusivamente inspirados pelo preconceito partidário, o Dr. Flaminio Lessa assinalou-se não somente pelo seu merecimento intelectual, como pela nobreza dos seus sentimentos; e sempre gosou da estima dos seus concidadãos”. Estima e nobreza que os cidadãos de Guaratinguetá vão conhecer tão bem.
Um ano depois, em 1844, é nomeado para Guaratinguetá, como juiz municipal da comarca, que se estendia até a cidade de Bananal.
Na cidade, foi membro do partido Liberal, pelo qual se elegeria, anos mais tarde, Deputado na Assembléia Provincial de São Paulo, e Deputado Geral na Assembléia Geral do país.
Entre os fatos curiosos de sua personalidade esta ligada a forma com que tratava a todos. Bueno explica que este era “De trato fácil e acessível, do mesmo modo com que cumprimentava e abraçava com o máximo de respeito e acatamento qualquer nobre da época, também acariciava e abençoava com ares paternais escravo que lhe pedisse logo a bênção.”
Em eu testamento, selando a preocupação que sempre teve com os seus, ele deixa 2:000$000 (dois contos de réis) aos pobres da cidade, e 4:000$000 (quatro contos de réis) para que fossem distribuídos ao pobres recolhidos. Também deixou, na atual Praça Conselheiro Rodrigues Alves, o prédio de sua residência para o governo provincial, com a estrita condição de que nele funcionasse uma escola de ensino público, onde primeiramente abrigou o Grupo Escolar Flaminio Lessa e hoje abriga a Secretaria de Educação.
Toda a sua fortuna que orçava os 74:000$000 setenta e quatro mil contos de réis, foi todo distribuído em obras de instrução publica, pobreza desvalida e asilada, afilhados parentes e amigos.[2]
Faleceu em 9 de fevereiro de 1877, e seu cortejo se assemelhou a uma procissão, o povo formou uma enorme massa, todos que compareceram vinham empunhados cada qual com uma vela acesa, o que demonstrava sinal de respeito e carinho da população. Hoje nome deste ilustre cidadão é pouco lembrando, mas seus atos jamais serão esquecidos.

Referências:

LEITE, Aydano. Vultos do Presente e do Passado. Guaratinguetá, 1967.
NOGUEIRA, Almeida. A Academia de São Paulo – Tradições e Reminiscências. São Paulo, 1907.

[1] Segundo Almeida Nogueira este Godinho a que se refere o poeta era, então, o porteiro da Academia.
[2] Segundo o texto de Geraldo de França Bueno.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

CONFIRA!!!

O novo blog do Prof.Pesquisador Joaquim Roberto Fagundes onde ele apresenta um rico acervo de fotografias da cidade de Guaratinguetá, vale a pena conferir!!!!!!!


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Programação do XXIV Simpósio de História do Vale do Paraíba


11/08/2010 – Quarta-feira
Local: Departamento de Ciências Sociais e Letras - UNITAU
17h - Credenciamento
19h – Abertura solene
19h30 – Apresentação cultural: Jongo – Grupo Mistura da Raça de São José dos Campos
20h – Conferência de Abertura: Cultura e catolicismo popular, uma análise antropológica
Prof. Dr. Carlos Rodrigues Brandão (UNICAMP)

12/08/2010 – Quinta-feira
Manhã
9h – Visita ao Arquivo Histórico de Taubaté
10h30 – Visita à Casa do Figureiro
Tarde
14h – Visita ao Centro de documentação e Pesquisa Histórica da UNITAU
15 – Visita monitorada ao Solar da Viscondessa do Tremembé
17h – Apresentações dos pôsteres
Noite
Local: Auditório do Departamento de Ciências Sociais e Letras - UNITAU
19h – Apresentação cultural
20h – Palestra: Do Divino Espírito Santo ao Círio de Nazaré: festas, religiosidades e fluxos identitários na contemporaneidade
Prof. Dr. José Rogério Lopes (UNISINOS)


13/08/2010 – Sexta-feira
Local: Departamento de Ciências Sociais e Letras - UNITAU
Manhã
9h – Comunicações orais (salas simultâneas)
Tarde
14h – Salas temáticas
Sala 1 – Festa do Divino de São Luiz do Paraitinga (João Rafael Cursino dos Santos e José de Arimatéia)
Sala 2 – Moçambique (Mestre Paizinho)
Sala 3 – Folia de Reis nos Bairros rurais: ciclo devocional e festivo no Sertão da Serra da Bocaina (Marcelo Toledo)
Noite
19h – Mesa-redonda – “Folclorização e festas populares no Vale do Paraíba”
Prof. Ms Luzimar Golart Gouvêa (UNITAU), Prof. Dr. André Luiz da Silva (UNITAU), Marinilza Rocha de Araújo Faria, Rita de Cássia Gouvêa, Simone Fonseca da Silva
21h – Aula show: “O desafio da cultura popular na contemporaneidade: Festa do Divino de São Luiz do Paraitinga” – João Rafael Cursino, Álvaro e Galvão Frade

14/08/2010 – Sábado
Local: São Luiz do Paraitinga
9h – Palestra: Festa do divino: a construção do festejo em uma cidade em reconstrução
Exibição do documentário
Prof. Dr. José Felício Goussain Murade (UNITAU)
9h30 - Conferência “Cultura imaterial”
Ana Beatriz Ayrosa Galvão - Superintendente do IPHAN
11h – Cerimônia de encerramento
Entrega do Prêmio Marcelo de Ipanema
Entrega dos Prêmios aos melhores trabalhos apresentados
Ato do IEV para escolha do tema e da sede para o Simpósio de 2011.
12h – Apresentação cultural
13h – Almoço de confraternização por adesão

domingo, 11 de julho de 2010

DENÚNCIA - EM "VALE DO PARAÍBA - DOCUMENTOS HISTÓRICOS" BOMBA!!!!!!!!!

Pasmem! O Museu Histórico Pedagógico Major Novaes está em ruínas, caindo parte a parte todos os dias. Um exemplo monstruoso do descaso público pela memória e a história do Vale do Paraíba. Um desrespeito ao ser humano, um exemplo de que o país não tem futuro.O Museu Major Novaes localizado, em Cruzeiro-SP, está na iminência de cair totalmente, mesmo com as autoridades municipais passando todos os dias ao seu lado.Considerável parte já não existe mais e agora está ruindo a parte central, sem que alguém tome providências a respeito......... (CLIQUE AQUI E VEJA A NOTÍCIA COMPLETA) no Bolg do Professor Pesquisador Joaquim Roberto Fagundes

sábado, 3 de julho de 2010

OS PRIMEIROS TEMPOS DO CAFÉ

O café entrou no Brasil em 1727, trazido pelo Sargento mor Francisco de Melo Palheta. E a partir da segunda metade do século XVIII já se encontrava no Rio de Janeiro[1] e em São Paulo.
Na Capitania do Rio de Janeiro, o café é cultivado primeiramente na cidade do Rio de Janeiro e na baixada fluminense (MARTINS, 1990: 7). Posteriormente nas vilas de Vassouras, Valença e Barra Mansa, e, em 1782, segundo Taunay, em Rezende[2] (COELHO, 1984: 51).
Na região paulista as notícias são variadas e conflitantes, entre os autores e entre esses e as informações documentais da época.
Milliet afirma que por volta de 1780 não se cogitava em café na região e que somente em 1798 ele aparece na pauta das exportações, em ínfima quantidade - apenas sete sacas - (1982: 16). Taunay, por outro lado, fala em franca produção em 1785 (COELHO, 1984: 50) e o Marechal Arouche, em 1795, na existência de muitas plantações no planalto paulista, inclusive na própria Piratininga (BAPTISTA FILHO, 1952: 2)[3]. Nos Maços de População, porém o que se vê em franca atividade são apenas engenhos de cana, criação de animais e o cultivo de alimentos de subsistência.
Parece coerente aplicar para São Paulo, em especial no vale do Paraíba, a assertiva utilizada por Evangelista (1978: 95) e Marcondes (1998: 64) ao referir-se sobre o café no município de Lorena: “a cultura do café estava penetrando de maneira desigual...” e coexistirá com a cana-de-açúcar, a aguardente e os tradicionais produtos de subsistência (milho, arroz, feijão e farinha de mandioca), o algodão e o fumo. E, ao mesmo tempo, seguir a lógica, defendida pela maioria dos autores, que a partir de Rezende, cultivado em maior escala, o café seguiu em direção a Bananal, São José do Barreiro e Areias, no itinerário do “caminho novo”, e daí para as região de Lorena, no rumo da antiga Estrada Real.
Em Areias aparece por volta de 1790 e, em Bananal, nos princípios do século XIX (COELHO, 1984: 51), também em escala reduzida.
Em Lorena intensifica-se a partir da década de 1820, como principal cultura de exportação e de maior dinamismo (MARCONDES, 1998: 66), onde o produto encontrou solo propício na região do Porto do Meira, Embaú, Limoeiro e Registro Velho, à margem esquerda do Paraíba, até a serra da Mantiqueira (EVANGELISTA, 1978: 93).
O apogeu ocorreria entre os anos de 1854 e 1886 (MILLIET, 1982: 34), com destaque para as cidades de Bananal e Areias como principais produtoras, suplantado outros produtos na pauta das exportações (Tabela 1).




ESTRUTURA DA FAZENDA DE CAFÉ

O historiador Carlos Eugênio Marcondes de Moura, realizou na década de 1970, um intenso levantamento sobre as principais fazendas de café no Vale do Paraíba, com ênfase nas propriedades do vale histórico, mostrando como estava montada a estrutura dessas unidades produtoras, verdadeiros centros independentes refletidos nos inventários de época (MOURA, 2002: 150-156). Tomando como base tal levantamento pode-se dizer que estavam divididas da seguinte forma: edifícios e casas de serviços; edificações e implementos de beneficiar café; casas de morada; senzalas; tulhas e paióis; engenhos de cana, moinhos e prensas; enfermarias e boticas, edificações mistas (selaria, marcenaria e malaria) e tenda de ferreiro. Além destas, contava-se ainda com terreiros para secagem do café e casas para agregados.
Toda essa divisão poderia ser classificada em: núcleo industrial (terrenos, tulhas e casas de máquinas); viveiros e casas de vegetação; núcleos habitacionais (casa-grande, senzala e colônia); a arquitetura do cafezal, influenciada pela técnica de maquinário agrícola, e também pelas condições sócio-econômicas e ecológicas; e os edifícios e instalações destinados a abrigar atividades complementares e suplementares da fazenda (FERRÃO, p, 7).
A distribuição destes ao longo da área, constituía num quase autêntico feudo medieval, com a presença, acrescida muitas vezes, por uma pequena capela ou tão somente um oratório particular[4], tudo cercado por muro de taipa ou de cerca natural. Em geral, o complexo era desenhado em quadra e ao redor agregavam-se apêndices, como novos terreiros e edificações (FERRÃO, P. 7).
Esses prédios, em sua maioria, eram construídos em taipa de pilão (PASIN, 2007: 10), principalmente aqueles erigidos na primeira metade do século XIX, com grossas paredes e madeiras robustas de lei, com destaque para as sedes das fazendas, que eram as de melhor acabamento interno e de maior dimensão, com diversas divisões internas e assobradadas[5]. Eram concebidos no sentido de organizar os espaços e as formas dos sítios, planejarem o layout do cafezal, implantando-o nas encostas dos morros, sem a preocupação com o trato mecanizado, nem com o plantio em nível, e desenhar a grande quantidade de instalações complementares e suplementos, destinadas ao abastecimento e a manutenção de uma unidade de produção quase autárquica (FERRÃO, p. 7).
Posteriormente, a sede da fazenda foi construída de alvenaria – tijolos, telhas e madeira, retirada em grande parte das matas da propriedade. No entorno alqueires de mata nativa eram conservados para proteger as cabeceiras dos cursos d’água, que cruzavam a fazenda, além de ser uma preciosa fonte de madeira e lenha. A água era proveniente de nascentes próximas ou então de poços. A roda d’água supria a necessidade de energia (BAPTISTA FILHO, 1952: 6).
As casas grandes eram dotadas internamente de grandes salões e pequenas alcovas sem ventilação, e externamente, de terraços e alpendres ao centro, ladeados por escadarias, pomares e hortas. Eram construídas em locais bem drenados e expostos ao sol, porém próximas a um córrego (FERRÃO, 7).
Quanto às senzalas, era o significado de autonomia para o controle de vários aspectos da vida material e cultural do escravo. A senzala era o escravo (MARQUESE, 2005: 166).
Existiam três tipos de vivenda escrava: as senzalas de “pavilhão”, edifício único com pequenos recintos ou cubículos separados para os escravos solteiros e casados; as senzalas de “barracão”, onde viveriam escravos e escravas solteiros em grandes recintos separados; e as senzalas “cabanas”, onde viveriam escravos solteiros e casados do mesmo sexo (APUD, p. 167).
Principalmente nas senzalas cabanas, os cativos teriam acrescido no Brasil várias técnicas de construção empregadas em seu continente de origem, como o uso de paus de forquilha para a sustentação da cobertura, a adoção de um formato retangular para as cabanas, com teto de duas águas e cômodos pequenos e ausência de janelas. A cabana, para o escravo, não era o local de moradia no sentido burguês, mas apenas o local do sono ou do abrigo contra as variações de tempo; o habitat, portanto, se desenrolaria antes no entorno da cabana do que no seu interior (APUD, p. 167).
Existia, ainda, a senzala em quadra, isto é, edifícios contínuos erigidos em formato retangular e subdivididos em compartimentos ou cubículos, todos voltados para um terreiro ou pátio com entrada única guardada por um portão de ferro (APUD, p. 167). Caracterizava-se por seu isolamento, garantido por meio de sua disposição retangular e muito utilizada no Vale do Paraíba entre 1840 e 1880.
E, também as choças, que eram casebres que seguiam os padrões africanos de moradia e parece ter sido também o modelo utilizado até a 4ª década do século XIX no Vale do Paraíba (APUD, p. 172).
A partir de 1847, sobre senzalas vai aparecer recomendações sobre a construção de senzalas, presentes no trabalho de Francisco Peixoto de Lacerda Werneck (Barão de Paty do Alferes), que recomendava principalmente o cuidado com a saúde dos escravos e vigilância estreita sobre eles. Deveria acomodar quatro escravos solteiros, e no caso de casais, marido e mulher com filhos, conter 24 palmos quadrados e uma varanda de oito palmos de largo em seu cumprimento, voltada para a quadra do terreiro (APUD, p. 173).

Referências:

BAPTISTA FILHO, Olavo. A fazenda de café em São Paulo. Rio de Janeiro: Serviço de informação Agrícola, 1952.
COELHO, Helvécio Vasconcelos de Castro. Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá. In: Revista da Asbrap, nº 08, 2004.
COELHO, Lucinda Coutinho de Mello. Ensaio sócio-econômico de áreas valeparaibanas. Rio de Janeiro: Asa Artes Gráficas, 1984.
EGAS, Eugênio (org.). Os Municípios Paulistas. São Paulo: Seção de Obras D’ Estado de São Paulo, 1925.
EVANGELISTA, José Geraldo. Lorena no Século XIX. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, 1978. (Coleção Paulística, 7)
FERRÃO, André Munhoz de Argollo. A Fazenda Cafeeira. http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/a_fazenda_cafeeira_7.html. Acesso em: 03 nov. 2007, 9:45:27.
HERRMANN, Lucilla. Evolução da Estrutura Social de Guaratinguetá num período de trezentos anos. São Paulo: Revista de Administração/USP, 1948.
MARCONDES, Renato Leite. A arte de acumular na economia cafeeira: Vale do Paraíba - Século XIX. Lorena-SP: Stiliano, 1998.
MARQUESE, Rafael de Bivar. Moradia Escrava na Área do Tráfico Ilegal: senzalas rurais no Brasil e em Cuba, c. 1830-1860. In: Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material. n º 2, v. 13, jul-dez. 2005.
MARTINS, Ana Luiza. Império do Café: a grande lavoura no Brasil - 1850-1890. 3. ed., São Paulo: Atual, 1990.
MILLIET, Sergio. Roteiro do Café e outros ensaios: contribuição para o estudo da história econômica e social do Brasil. 4. ed., São Paulo: Hucitec, 1982. (Estudos Rurais).
MOTTA, José Flávio. Corpos Escravos, Vontades Livres: posse de cativos e família escrava em Bananal - 1801-1829. São Paulo: Annablume/Fapesp, 1999.
MOTTA Sobrinho, Alves. A Civilização do Café. São Paulo: Editora Brasiliense, 1967.
MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. O Visconde de Guaratinguetá – Um titular do café no Vale do Paraíba. 2. ed., São Paulo: Studio Nobel, 2002.
PASIN, José Luiz. Os Barões do Café - Titulares do Império no Vale do Paraíba Paulista. Aparecida-SP: Vale Livros, 2001.
______________. Vale do Paraíba: história e cultura. Lorena-SP: Gráfica e Editora Santa Tereza, 2007.
[1] Roberto Simonsen, citado por Motta, refere-se ao Desembargador João Alberto Castelo Branco, como o responsável por trazer, por volta de 1770, as primeiras mudas de café para o Rio de Janeiro (MOTTA, 1999: 48).
[2] Alves Motta Sobrinho, com base em Taunay, refere-se ao café em Rezende citando o relato de um antigo morador de Bananal, Joaquim Pinto, que dizia ter sido feita a primeira plantação na região naquele ano (MOTTA SOBRINHO, 1968: 23).
[3] No declino do século XVIII, por boa parte do Vale do Paraíba, havia cafezais em locais como Guaratinguetá, Taubaté, Bananal, Pindamonhangaba e Jacareí. “Terras ainda não utilizadas, fertilíssimas, proporcionaram magníficas produções anuais, que eram negociadas no portos do Rio e Ubatuba. Nessa época não havia ainda qualquer ligação dessa região com a capital da província ou mesmo com Santos, de sorte que o porto de Ubatuba, no litoral paulista, desempenhou durante algum tem papel de relevo no escoamento e da produção obtida nas fazendas do vale” (BAPTISTA Filho, 1952: 1).
[4] O oratório era uma particularidade muito presente nas sedes das fazendas, fruto da forte influência religiosa no país, sendo um local especialmente reservado para a realização de missas, casamentos e batizados, desde que tivesse Breve Apostólico expedido pelo bispo. Segundo o pesquisador Joaquim Roberto Fagundes documentos dessa natureza podem ser encontrados no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo.
[5] As construções que predominavam são aquelas de dois pavimentos, com pé direito de 4 metros. São sobradões amplos, de construção sólida, mas sem requintes de acabamento. No térreo ficam o escritório, o depósito e outros serviços, no superior os quartos de dormir, sala de jantar, cozinha, dispensa e banheiro. No exterior possuem varanda com escada (BAPTISTA FILHO, 1952: 6).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

CONFIRA!!! - VP Bloguistas

O Portal Vale do Paraíba.com criou uma pagina especial em seu espaço para a divulgação dos bloguistas da região.


sábado, 26 de junho de 2010

CONFIRA!!!

Revolução Constitucionalista de 1932 tem pagina especial no Portal ValedoParaiba.com



domingo, 13 de junho de 2010

CESAPER Recebe visita de Paulo Goulart e Nicette Bruno

No dia 12 de junho, o CESAPER (Centro Salesiano de Pesquisas Regionais “Prof.José Luiz Pasin") que abriga em suas dependências o acervo e biblioteca do IEV (Instituto de Estudos Valeparaibanos) recebeu a visita dos atores Paulo Goulart e Nicette Bruno. Que estavam em Lorena por conta da peça de teatral interpretada por eles “O Homem Inesperado”, que ocorreu no teatro “São Joaquim” no UNISAL.


Os atores foram recebidos pelos Prof.Ms. Francisco Sodero Toledo, Prof.Dr. Henrique Alckmin Prudente e por mim.

O Prof.Sodero falou sobre a história do Vale do Paraíba e sobre Euclides da Cunha para o casal de atores, que apreciaram as explicações dadas pelo professor.


E como lembrança desta tão agradável visita, Paulo Goulart e Nicette Bruno foram presenteados com os livros “Estrada Real: Caminho Novo da Piedade”, “Viagem Pitoresca pelo Rio Paraíba do Sul” e “Estrada Real o Caminho do Ouro”.

sábado, 5 de junho de 2010

Areias


Por Diego Amaro de Almeida e Máira Rosângela Lourusso Beraldo Santos

O Vale do Paraíba Paulista, desde o início de seu povoamento, tem se destacado política e economicamente, exercendo um papel preponderante no desenvolvimento do país.
E, nesse aspecto, merece destaque a cidade de Areias, localizada entre Cunha, Silveiras, Queluz, São José do Barreiro e Rezende.
Foi criada como vila em 14 de maio de 1787, no local que servia de pouso para tropas entre as vilas de Lorena e Resende[1], no traçado do Caminho Novo para o Rio de Janeiro, numa importante zona de fronteira aberta; tendo pertencido anteriormente aos municípios de Guaratinguetá e Lorena, período em que as primeiras famílias se estabeleceram na região, vindas de Taubaté, Pindamonhangaba e Guaratinguetá.
Com o passar dos anos foi desmembrada, formando os atuais municípios de Cruzeiro, Queluz, Silveiras, Bananal e São José do Barreiro.



No século XIX foi o principal centro produtor de café da região, onde a riqueza trouxe fantásticas e ricas construções, modificando estilos e maneiras de viver. É considerada como o “Berço do Café” na região.Sua produção era tamanha que, em medos daquele século, representava um décimo do total da produção agrícola da província. Com a decadência do produto, já no século XX, perdeu a sede da comarca e com o decreto-lei 9.775, de 30 de novembro de 1938 acabou por ser anexada à Queluz, que anteriormente era parte de seu extenso território.Hoje é um importante marco na cultura e na história valeparaibana, principalmente por seu rico patrimônio artístico, como o Solar do Capitão-Mor (Hotel Sant’Anna), onde esteve hospedado Dom Pedro I em agosto de 1822, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha; o casarão da rua XV de Novembro, onde morou Monteiro Lobato, ainda recém-casado em 1908, a igreja matriz, outros prédios e sobrados.
O prédio acima apresentado foi construído no ano de 1833 para abrigar a antiga Câmara de Vereadores e a cadeia publica. Mais tarde se tornou o fórum local, onde o famoso escritor Monteiro Lobato trabalhou como promotor público 1907 a 1911. Hoje, o prédio é parte de um rico cenário histórico que retoma o glorioso passado de Areias, abrigando atualmente a Casa da Cultura.


Referências

HERRMANN, Lucilla. Evolução da Estrutura Social de Guaratinguetá num período de trezentos anos – São Paulo. São Paulo: Revista de Administração/USP, 1948.
MAIA, Thereza Regina de Camargo. O Vale Paulista do Rio Paraíba. Rio de Janeiro: Documenta Histórica Editora, 2005.
MILLIET, Sérgio. Roteiro do Café e outros ensaios: contribuição para o estudo da história econômica do Brasil. São Paulo: Bipa, 1946.
MOTTA, Sobrinho Alves. A civilização do Café. São Paulo: Editora Brasiliense, 1967
NASCIMENTO, Guido Gilberto do. Areias: Berço do Café no Vale do Paraíba Paulista. Lorena-SP, 2004.
PASIN, José Luiz. Vale do Paraíba: História e Cultura. Lorena-SP: GRAFIST, 2007.


[1] Anteriormente conhecidas como Guaypacaré (Lorena) e Campo Alegre (Resende).



Visita as Cidades de Guararema, Santa Branca e Taubaté


Sábado, dia 8 de maio, em mais uma “Empreitada Cultural” pelo Vale do Paraíba liderada pelo presidente do IEV (Instituto de Estudos Valeparaibanos) Professor Nelson Pesciotta visitamos as cidades de Guararema, Santa Branca e Taubaté, com o intuito conhecer os trabalhos que veem sendo desenvolvidos quanto à preservação do patrimônio valeparaibano.

Como roteiro desta visita, primeiramente seguimos para a cidade de Guararema, onde conhecemos as Igrejas de Nossa Senhora da Escada, datada do ano se 1652, patrimônio que ainda preserva o estilo da época, o qual fora construído, e também estivemos na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda de aproximadamente 1680 que retrata os estilos de uma éपोचा.


Ainda em Guararema visitamos o Parque Municipal da Pedra Montada, um belíssimo lugar onde, como que brincando com as leis naturais, pedras que se encontram sobrepostas neste parque, compõem uma das mais imponentes esculturas da cidade। Presenciamos uma das mais belas cenas quanto ao Rio Paraíba, que naquela área ainda é abundante em peixes, e atravessa o centro da cidade.


Na cidade de Santa Branca, onde seria o almoço, estivemos no restaurante (River´s) as margens do Rio Paraíba, onde também visitamos uma das pontes de Euclides da Cunha, quando ainda exercia a profissão de engenheiro de obras do estado de São Paulo।


Como ponto alto deste passeio fomos ao Museu de Arte Sacra de Taubaté, que agora se encontra em novas instalações, e propostas para a preservação deste patrimônio. Além de desfrutarmos de um riquíssimo acervo de obras que marcam o inicio de nossa colonizaçã, lá tivemos a grande oportunidade de ver as imagens que foram regatadas em São Luiz do Paraitinga, durante a devastadora enchente deste ano.


Fotos: Andréia Marcondes

domingo, 30 de maio de 2010

CONFIRA

Inventários e Testamentos - Identidade e Estrutura - POR JOAQUIM ROBERTO FAGUNDES

Documento processual produzido pelo poder judiciário com a finalidade de realizar o levantamento dos bens e a sua partilha quantitativa entre os herdeiros, bem como liquidar dívidas do espólio.
Nos séculos XVIII e XIX seguia processualmente as Ordenações Filipinas e estava a cargo do: 1. juízo de órfãos – quando havia herdeiros menores que, depois da maioridade, habilitavam-se para levantar os bens ou dinheiro deixado no cofre dos órfãos (para o caso eram nomeados tutores); 2. Juízo Municipal – quando havia herdeiros em maioridade; 3. Pela Provedoria dos Defuntos, Ausentes, Capelas, Resíduos e Cativos...


http://valedoparaibaarquivoshistoricos.blogspot.com/

quarta-feira, 26 de maio de 2010




No dia 29 de maio, às 17 horas, será lançado na cidade de Areias o livro “Estrada Real Caminho Novo da Piedade” de autoria do historiador Francisco Sodero Toledo.

O lançamento é promovido pelo Circuito Vale Histórico, Instituto de Estudos Valeparaibanos e Portal www.valedoparaiba.com e acontecerá na Casa da Cultura da cidade, na rua XV de novembro,número 170, no centro da cidade. Conta com o apoio das prefeituras de Arapei, Areias, Bananal, Queluz, São José do Barreiro e de Silveiras.

A Estrada Real: Caminho Novo da Piedade é uma via singular no contexto histórico nacional. Trata-se de uma importante caminho colonial que hoje corta o denominado “Vale Histórico”, no Vale do Paraíba, em áreas paulistas e fluminenses. Neste novo trabalho o historiador realiza o resgate da sua história, o reconhecimento de suas influências no passado e das possibilidades que se abrem com vistas à reutilização como rota turística na atualidade.

A construção do texto segue uma metodologia própria, podendo servir de parâmetro metodológico para outras análises. O livro utiliza de diversas abordagens para a compreensão do regional com traços próprios e singulares. No texto o autor consegue conjugar o rigor acadêmico, com uma linguagem didática convidativa.

Ao leitor dá a conhecer os interesses metropolitanos, as dificuldades na construção do Caminho Novo, os impactos ocorridos após sua conclusão, a ocupação da terra, os personagens, os ranchos, o comércio, as capelas, os primeiros núcleos populacionais e a saga dos seus desbravadores e povoadores. Tudo isso ricamente complementado com tabelas, documentos, mapas, ilustrações e reflexões.

O resgate desta história recupera a ação de diferentes grupos humanos que nele atuaram resultando não só na existência de uma nova via de transporte e comunicação, bem como a formação de uma sociedade com características peculiares no contexto colonial capaz, como foi, em contribuir para a construção e manutenção do Império brasileiro.

É uma obra surpreendente e reveladora !





Sobre o autor : FRANCISCO SODERO TOLEDO



O autor é professor, escritor e historiador. Atua como docente e pesquisador no UNISAL-lorena e na Escola de Engenharia de Lorena – USP.

Nasceu na cidade de Silveiras, uma família com presunção de cidade, como se referiu Monteiro Lobato.

Teve sua formação universitária inicial junto a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena onde conclui a licenciatura e o bacharelado no curso de História e em Filosofia. Realizou ainda o curso de licenciatura em Pedagogia o curso de pós-graduação na Universidade de São Paulo em História da Civilização Brasileira. e concluiu o programa de mestrado em Educação pela UNISAL, tornando-se mestre em educação.

Foi professor e Diretor do “Instituto de Educação Cons. Rodrigues de Guaratinguetá”, Diretor Regional de Ensino, da DRE de São José dos Campos por quatro anos (1987 a 1991). Membro fundador do Instituto de Estudos Valeparaibanos e da Academia de Letras de Lorena. Atua como consultor em projetos históricos junto mídia regional. Foi agraciado com o "Troféu Piraquara" pelo Rotary Clube de Guaratinguetá após ter sido eleito "Intelectual Valeparaibano do ano de 1988", com o “Prêmio Jornal Guaypacaré, em 1990” e, com o “Prêmio Eugênia Sereno” pelo Instituto de Estudos Valeparaibano no ano de 2006.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

CONVITE




O Centro Universitário Salesiano de São Paulo – UE Lorena, o Instituto de Estudos Valeparaibanos e o portal valedoparaiba.com tem a satisfação de convidar a vossa senhoria e sua digníssima família para o lançamento do livro “Estrada Real: Caminho Novo da Piedade” de autoria de Francisco Sodero Toledo.

Local: Centro UNISAL de Lorena
Rua Dom Bosco, 284 – Centro
Data: 18 de maio de 2010, às 20:00 horas.

“ O Resgate da história do Caminho Novo recupera a ação de diferentes grupos humanos que nele atuaram, resultando não só na existência de uma nova via de comunicação, bem como a formação de uma sociedade com características peculiares no contexto colonial brasileiro”

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Visconde de Guaratinguetá


O Visconde de Guaratinguetá, Francisco de Assis Oliveira Borges, que nasceu em 1808 em Guaratinguetá, e era filho do Alferes Inácio Joaquim Monteiro e de sua mulher Ana Joaquina do Amor Divino, e irmão do Vigário Antonio Martiniano de Oliveira e do Arcipreste Joaquim Anselmo de Oliveira.
De origem humilde, foi um dos maiores cafeicultores da região. Começou a trabalhar vendendo produtos da chácara de seu pai, na feira semanal do Largo do Rosário, em Guaratinguetá, e mais tarde, como tropeiro, conduzindo tropas e mercadorias para o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Casou-se pela primeira vez com Ana Silveira Umbelinda do Espírito Santo, nascida em Lorena, no dia 22 de junho de 1808, filha do Capitão Francisco Gomes Sandim e de Silveira Inocêncio de Gusmão e viúva do Ajudante João Lopes Salgado Guimarães.
Exerceu os cargos de escrivão de órfãos, promotor público, sargento-mor, sub-delegado de Polícia (1845), Juiz de Paz (1849 a 1852), vereador (1833-1837), vice-presidente da Câmara Municipal no período (1849-1852), Coronel-Comandante da Guarda Nacional de Guaratinguetá (1854), e deputado à Assembléia Legislativa Provincial(1856-1857), pelo Partido Conservador.
Fundou a Santa Casa de Misericórdia de Guaratinguetá e foi seu provedor, em 1854. Protetor do Asilo do Bom Pastor, Inspetor de Obras Públicas, acionista da Estrada de Ferro D.Pedro II, membro da comissão diretora de obras da Matriz de Santo Antonio, Inspetor de Estradas e chefe do Partido Conservador em Guaratinguetá e na região.
Em reconhecimento aos seus relevantes serviços prestado à comunidade, à instrução pública e ao Brasil, recebeu as seguintes condecorações: Cavaleiro Imperial da Ordem Rosa, por decreto de primeiro de dezembro de 1848, Barão de Guaratinguetá, em 1854, Visconde de Guaratinguetá, por decreto de 1867, Grande do Império em 1871, Grande Dignitário da Ordem Rosa em 1877.
Casou-se, pela segunda vez, no dia 5 de junho de 1858, com Amélia Augusta Cazal, batizada em Guaratinguetá no dia 8 de março de 1830, filha do cirurgião-mor Rafael José Cazal, nascido da vila de Cascais, Patriarcado de Lisboa, Portugal e de Marguerite Penel, nascida em Vevey, cantão de Vaud, na Suíça.
O Visconde de Guaratinguetá foi pai de uma prole de 24 filhos, em seus dois casamentos.

Referências:

MOURA, Carlos Eugenio Marcondes de. O Visconde de Guaratinguetá – Um titular do café no Vale do Paraíba. 2. Ed., São Paulo: Studio Nobel, 2002.

PASIN, José Luiz. Os Barões do Café – Titulares do Império no Vale do Paraíba Paulista. Aparecida-SP: Vale Livros, 2001.

Para Saber Mais:

www.valedoparaiba.com/enciclopedia

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Fragmentos da História das Cidades de Lorena e Piquete

Lorena e Piquete eram administrativamente ligados. A primeira era a cabeça do termo e a segunda um incipiente bairro surgido ao longo de um caminho. Posteriormente a segunda foi elevada a vila.
A vila de Lorena é uma das mais antigas do vale do Paraíba e o seu povoamento se dá ainda no século XVII, com as primeiras sesmarias doadas na região onde seria o futuro núcleo urbano (COELHO,2004), onde, em 1705, nasceu a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Gaypacaré (EVANGELISTA,1978), e administrativamente parte do território de Guaratinguetá. Nesse período ficaram conhecidas as famosas roças de Bento Rodrigues Caldeira.
No século XVIII, com o correr do tempo houve um aumento considerável da população, parte dela oriunda de diversas regiões da Capitania de São Paulo, o que fez aumentar seu território, principalmente em direção a serra da Mantiqueira, onde na primeira metade deste século seria muito utilizada a Estrada Geral (ou Real) em direção a Minas que deu dinamismo ao local, principalmente com o transporte e o abastecimento।



Em 1788, o Governador da Capitania de São Paulo – Bernardo José de Lorena, através da portaria de 6 de setembro de 1788, elevou Lorena à categoria de Vila, abrangendo, assim, todo o território desde a sede até os limites do Rio Piraí ou Campo Alegre (Resende).
Em 1799, aparece as primeiras plantações de café na vila, sendo produzidas e exportadas a pequena quantia de 39 arrobas (EVANGELISTA,1978).
A vila de Piquete vai aparecer pela primeira vez como bairro de Lorena em 1828, com 63 casas, 303 habitantes livres e 123 escravos e a sua economia tinha como base a agricultura e o tráfego para escoamento de mercadorias pela estrada da serra de Itajubá. Há que ressaltar que toda a vida do lugarejo passou a orbitar em torno deste caminho. O povoado ganhava fôlego na época das secas, com a possibilidade de melhor acesso aos viajantes, para quase se isolar na estação das águas. Muitos trechos tornavam-se intrasitiáveis e pontes eram levadas pelas enchentes.
A grande produção de café em Lorena vinha desse bairro, em grande número de tropas que transportavam a produção. E isso trouxe desenvolvimento urbano da localidade que, em 20 de dezembro de 1864, conseguiu autorização de Dom Sebastião Pinto do Rego, Bispo de São Paulo, permitindo que fosse construída a capela do bairro, sob a invocação de São Miguel e, em sua elevação à freguesia, em 22 de março de 1875, através do decreto nº10. Em 17 de maio de 1891 foi elevada a categoria de Vila, com a denominação de Vila Vieira de Piquete, em homenagem ao cafeicultor Custódio Vieira da Silva, parente do Visconde de Guaratinguetá, titular das fazendas do Carmo e Fortaleza, localizadas no mesmo território.

Referências

COELHO, Helvécio Vasconcelos de Castro. Vila de Santo Antonio de Guaratinguetá. In: Revista da Asbrap, nº8, 2004
EGAS, Eugênio(org.). Os Municípios Paulistas. São Paulo: Seleção de Obras D´Estado de São Paulo, 1925.
EVANGELISTA, José Geraldo. Lorena no século XIX. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, 1978. (Coleção Paulística, 7)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

MARIA AUGUSTA - A FILHA DO VISCONDE



A biografia de Maria Augusta de Oliveira Borges ainda é estudada por pesquisadores e historiadores numa linha que não mais se justifica. É algo que resultou em poético, heróico, lendário e, por isso mesmo, anda na contramão da história. Isso impossibilitou a observação mais profunda da personagem dentro de um contexto de época, qual seja o do universo feminino no final de século XIX, e que tem correspondentes atuais na forma de um legado histórico-cultural perceptível em suas nuances. O que se fez foi uma sucessão de narrativas em nada esclarecedoras sobre sua personalidade e do seu papel num ambiente patriarcal que controlava a prática social, mas contrariamente a subvertia, escamoteando a realidade do que acontecia dentro do seio da família e na sociedade como um todo.
Desse modo, é saudável uma composição historiográfica ampla para a personagem, verificando cenário, contrastes e permanências , analisando a multiplicidade dos fatos do cotidiano, do geral para o particular e vice-versa, a exemplo dos estudos da micro-história, e do estudo de gênero, com marcos teóricos revisionistas, como os trabalhos de Mary Del Priory, Eny Mesquita de Samara, Leila Mezan Algranti, Maria Odila da Silva Leite, Ronaldo Vainfas, Eliana Maria Rea Goldschmidt, Maria Beatriz Nizza da Silva, Ciro Flamarion, Carlo Ginzburg e, mesmo, Gilberto Freyre, sociólogo que descortinou para o Brasil as profundas raízes da sexualidade brasileira, e o escritor Nelson Rodrigues, que nas suas crônicas relata uma sociedade carioca ainda com características herdadas do século XIX, em que a lascívia, tanto de homens quanto de mulheres, aparecem perenes no tempo e no espaço e as protagonistas se misturam nos papéis de donzelas heroínas, transgressoras ou submissas, numa sociedade flexível e incoerente na prática do bom senso moral e ético.
Portanto, a história da personagem interiorana que buscou novas experiências precisa ser compreendida dentro desse contexto mais amplo, tomando como base objetiva as características sociais, políticas e econômicas do ambiente que viveu, procurando enxergar com racionalidade o seu comportamento e a reação daquela sociedade diante dos fatos, separando o espetáculo do mito da cena comum.
Nascida em Guaratinguetá, em 31 de dezembro de 1864, no seio de uma família pseudo-aristocrática, formada por Francisco de Assis Oliveira Borges e Amélia Augusta Cazal - os Viscondes de Guaratinguetá - Maria Augusta teve sua infância interrompida pelo casamento e depois pela morte prematura, e tornou-se, ao longo de mais de cem anos, num ícone urbano-regional, conhecido como a mitológica “loira do banheiro”.
Seu pai, pelo olhar objetivo e ótimo relacionamento comercial, como num golpe planejado de sorte, conseguiu fazer grandes e inúmeros negócios na região, com interesses voltados para as famílias mais destacadas economicamente, casando-se, inclusive, a primeira vez, com a viúva Lopes Salgado, da vizinha Lorena, e com isso pode dar inicio a uma carreira de sucesso, alcançando, por compra, em 1854, o título de barão e, em 1869, o de Visconde de Guaratinguetá. Era um autêntico e austero senhor com a marca do mandonismo e do clientelismo extensivo à família, aliados, agregados e escravos, numa cidade onde a maioria era a população pobre e de diferentes atitudes de costume. E, desse modo, com uma infância restrita, embora participante distante dos acontecimentos que cercavam os relacionamentos familiares, Maria Augusta foi imposta a um casamento arranjado que pouco oferecia de duradouro, principalmente porque, além de uma personalidade com certeza forte, havia tido experiências de viver com escravos, sem nenhum preconceito e com primos, primas, irmãos e irmãs mais velhos que lhe trouxeram uma visão diferente do mundo, o qual seja de oportunidade de sentir a vida em outro plano e dentro de suas possibilidades de plenitude, livre das convenções nem sempre cumpridas naquele período.
As mulheres neste período já tinham participação acentuada naquele momento da história paulista, assim como também por várias vezes, e a pesquisa histórica tem demonstrado isso, haviam praticados atos nem um pouco recomendáveis, desde o século XVII. Existiram situações em diversos patamares, desde a mulher comandando os negócios da família, criando filhos, sendo comerciantes e independentes economicamente, até mulheres na prostituição declarada ou “moças direitas” com filhos em estado de solteiras, e vítimas consentidas de concubinato, lascívia e crimes contra maridos.
Quando saiu da casa de seu marido, Conselheiro Dutra Rodrigues, na cidade de São Paulo, em 25 de março de 1884, levando as jóias, para nunca mais voltar, ela apenas poderia estar tomando uma decisão de lugar-comum, igual a inúmeras mulheres das camadas mais inferiores e de menor importância no contexto social das suas famílias. Possivelmente desejava somente vida própria, feliz e alegre, diferente das limitações femininas impostas pela família e pelo marido, que foi considerado a grande vítima dessa história. Assim, o que relativamente era banal tornou-se incoerentemente lascivo, tanto que o mesmo marido, embora pudesse considerá-la leviana, esperou muito tempo para efetivar o processo de divórcio religioso, mostrando, dessa forma, a flexibilidade dos costumes e a sua disposição em perdoar um suposto pecado. Além disso, corroborando a idéia de uma reconciliação futura, e dispondo de informações sobre a vida da mulher na Corte, ele a manteve com uma pensão de 500$000 por mês. E, mesmo assim, a atitude de Maria Augusta parecia denotar uma disposição contrária, tanto que nem a própria mãe, que foi pessoalmente ao Rio de Janeiro, conseguiu que ela desistisse do seu intento, o que provocou desânimo por parte da mesma, que retornou a Guaratinguetá, deixando-a amparada financeiramente .
Verifica-se, então, que atos tão escandalosos, como dito na época, poderia não ser fato tão repudiado ou desagradável a ponto de se instituir como algo assombroso e de análise tão equivocada como fizeram seus contemporâneos e os atuais pesquisadores.
Maria Augusta já havia estado no Rio de Janeiro e em Paris, e retornado, se estabelecendo na Rua Taylor, na capital federal, onde conheceu o glamour que uma cidade interiorana e a cidade de São Paulo (onde morou com o marido) não ofereciam em termos de divertimento, coisa que não teve na casa paterna, mas que, talvez, conhecia por ouvir contar.
Estas duas cidades, Rio e Paris, era o sonho dourado de homens e mulheres do período, principalmente aqueles com conceitos e idéias avançadas, como era o caso de Maria Augusta, ao contrário de seu marido, de perfil reservado, atento a sua profissão de advogado e mestre de Direito Romano na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e que possivelmente não tinha vida social como almejava a esposa.
Ao contrário, a imperial capital do Brasil oferecia muito mais, era celeiro social de novidades, além de ser o centro das decisões políticas e econômicas, onde as festas tinham um caráter bem diversificado, servindo para negócios, entretenimentos vários e relacionamentos sociais mais amplos, abrindo um espectro mais forte na vivacidade de uma mulher que praticamente acabara de sair da adolescência, permitindo conhecer pessoas muito mais interessantes, segundo os seus desejos. O que deve ter atraído homens de destaque para o seu lado, como o caso transmitido oralmente sobre sua amizade com o Conde de Figueiredo, figura importante do império e da república, financista e especulador da bolsa.
Quando chegou ao Rio de Janeiro pela primeira vez, pouco ficou, mas a tempo de ter como sua hospede sua própria mãe, que segundo o processo de divórcio, veio até ela para dissuadi-la do intento da separação, e não conseguindo, ao que as entrelinhas deixam observar, acabou voltando para Guaratinguetá.
Portanto, a biografia de Maria Augusta necessita ser escrita de forma coerente, com base histórica, possibilitando, assim, entender o universo feminino da época sem a conotação pejorativa que, por vezes, reitera uma realidade deturpada.